8.15.2015

{...eu sei}

"às vezes tento pensar que sou invencível. como uma parede dura, inerte, onde as pancadas se quebram inúteis. nem sempre resulta..."

sentada no baloiço do jardim, apercebo-me como a figueira cresceu nestes últimos meses. quando o meu pai a podou, deixou-a nua de ramos. pensei que este ano não teríamos, sequer, folhas, quanto mais frutos. mas não... com uma esplendorosa saia rodada, saúda-nos, vaidosa e orgulhosa de si mesma.

fico feliz, por ela. lembro-me de ter reclamado, durante vários dias, com o meu pai... mas afinal, ele tinha razão: a figueira voltaria a ser grande.

não a vi crescer, contudo. estes últimos meses foram exigentes, demasiado exigentes. exigiram tudo para si: tempo, essência e até dor. esta última, desertou nas urgências do hospital, assim que lhes confiei uma parte de mim.

nessa madrugada, regressei a casa, sentindo-me completamente, sem chão. não consegui entrar no quarto... fiquei na sala, acompanhada, somente, por uma dúvida angustiante que tomara, para si, o lugar cativo da dor.

as semanas que se seguiram foram indescritíveis... é inacreditável como a solidão se afirmou senhora da minha vida. apesar de ter estado sempre, rodeada de família, sentia-me, absolutamente, sozinha e diminuída: uma ínfima parte mim mesma.

nessas semanas que se seguiram, vivi numa espécie de piloto automático. porque só assim, conseguia persistir sem desesperar, perante essa linha ténue, que divide a vida da morte).

as semanas que se seguiram são, finalmente, passado. o presente está, pé ante pé, a fazer-se ao caminho. a retomar a estrada. 

hoje, sentada no baloiço do jardim, senti-me grata. pela esplendorosa saia rodada da figueira. pelo sol que brilha, apesar do céu cinzento. pela vida que nos anima o corpo. pela que fé nos embala a alma. pelo tempo que se recupera, minuto a minuto.

hoje, sentada no baloiço do jardim, senti-me grata. porque não estou mais sozinha.

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