8.23.2015

muda de vida, se tu não vives satisfeito, estás sempre a tempo de mudar



acredito que sou uma pessoa com muita sorte. poucos são aqueles que têm a oportunidade de recomeçar... mudar de vida, começar de novo... praticamente, do zero.

há cerca de uma década atrás, um astrólogo vêda disse-me que eu não passaria de 2008. she's already dead, disse-o para a colega que estava a seu lado... eu fiquei assustada, claro. ela já está morta? não passarei de 2008?

hoje penso nas suas palavras e acredito que ele tinha razão. eu já estava morta e o ano de dois mil e oito seria o meu último ano. não nesta vida nem neste planeta ou neste corpo... mas sim, o último ano daquela minha alma errante.

estes anos que se passaram, entretanto, foram para mim, uma espécie de purga. tudo o que eu tinha cá dentro foi exposto - muitas vezes, de uma forma extremamente dolorosa. foram anos em que tudo o que eu tinha cá dentro foi posto à prova.

eu já estava morta... sim. em 2006, assim era. (sobre)vivia para a dor física e nada mais. ele tinha razão... hoje, quase uma década passada, eu sinto-me renascida. mas foram necessários muitos recomeços, muitas mudanças. 

eis que me deparo com o derradeiro recomeço, a derradeira mudança: de vida, de casa, de cidade, de concelho.

mudar de vida não é fácil. obriga-nos a mexer nas fundações cá de dentro. e quem sabe o que é que podemos encontrar escondido naqueles recantos escuros... coisas que nós nem ousamos pensar que existem. mas existem... e não é por deixarmos de pensar neles que deixam de existir. eu nunca passei por uma desintoxicação. não obstante, acredito que deve ser muito parecido por tudo aquilo que eu tenho passado. mas, agora, sinto que estou pronta. finalmente, pronta...

sinto-me como se tudo o que tenho cá dentro estivesse cheio de luz. os recantos sombrios, iluminados, sem sombras ou nuvens densas de coisa nenhuma. sinto-me como se iluminada pelo luar de uma vida nova...

está na hora de voar...

ou, mais propriamente, de pedalar. porque, aqui, a aselha, chumbou no exame de condução e de casa ao trabalho, não se justifica ir de avião ;)

8.15.2015

{...eu sei}

"às vezes tento pensar que sou invencível. como uma parede dura, inerte, onde as pancadas se quebram inúteis. nem sempre resulta..."

sentada no baloiço do jardim, apercebo-me como a figueira cresceu nestes últimos meses. quando o meu pai a podou, deixou-a nua de ramos. pensei que este ano não teríamos, sequer, folhas, quanto mais frutos. mas não... com uma esplendorosa saia rodada, saúda-nos, vaidosa e orgulhosa de si mesma.

fico feliz, por ela. lembro-me de ter reclamado, durante vários dias, com o meu pai... mas afinal, ele tinha razão: a figueira voltaria a ser grande.

não a vi crescer, contudo. estes últimos meses foram exigentes, demasiado exigentes. exigiram tudo para si: tempo, essência e até dor. esta última, desertou nas urgências do hospital, assim que lhes confiei uma parte de mim.

nessa madrugada, regressei a casa, sentindo-me completamente, sem chão. não consegui entrar no quarto... fiquei na sala, acompanhada, somente, por uma dúvida angustiante que tomara, para si, o lugar cativo da dor.

as semanas que se seguiram foram indescritíveis... é inacreditável como a solidão se afirmou senhora da minha vida. apesar de ter estado sempre, rodeada de família, sentia-me, absolutamente, sozinha e diminuída: uma ínfima parte mim mesma.

nessas semanas que se seguiram, vivi numa espécie de piloto automático. porque só assim, conseguia persistir sem desesperar, perante essa linha ténue, que divide a vida da morte).

as semanas que se seguiram são, finalmente, passado. o presente está, pé ante pé, a fazer-se ao caminho. a retomar a estrada. 

hoje, sentada no baloiço do jardim, senti-me grata. pela esplendorosa saia rodada da figueira. pelo sol que brilha, apesar do céu cinzento. pela vida que nos anima o corpo. pela que fé nos embala a alma. pelo tempo que se recupera, minuto a minuto.

hoje, sentada no baloiço do jardim, senti-me grata. porque não estou mais sozinha.