5.29.2015

{kyo dake wa ♡}


quando dei início ao estudo do gokai, comecei, imediatamente, pelos princípios, propriamente ditos. só mais tarde, compreendi que só por hoje é, por si mesmo, também ele, um princípio. assim, não temos cinco mas seis princípios.

só por hoje...

esta pequena frase é, para mim, o primeiro princípio. só por hoje significa aqui e agora. ontem, já passou, o amanhã não existe, o presente é hoje, é agora. só existe um momento em que podemos mudar tudo, na nossa vida: este preciso minuto. tenho a certeza que, se vivesse mais no dia de hoje, eu não estaria com a crise de fibromialgia, com que estou hoje. a pré-ocupação da nossa mente, pode ser um verdadeiro veneno e eu confesso, sou assim, por natureza. sofro por antecipação, preocupo-me excessivamente, a grande maioria das vezes, sem qualquer motivo.

o passado ficou para trás. se algo nos faz sofrer, há que saber perdoar essa situação para que o passado não tenha mais o poder, de prejudicar o nosso presente.

quanto ao futuro, esse é feito hoje, neste instante. por essa razão, há que colocar uma ordem nos nossos pensamentos e nas nossas acções. nos pensamentos, porque estes funcionam como uma espécie de pedido ao universo, que nos dá mais daquilo que pedimos (porque o universo compreende cada pensamento, como um desejo a ser realizado): se pensamos em precariedade ou em doença, por exemplo, o universo dá-nos mais do mesmo. chamem-lhe lei da atracção, chamem-lhe o que quiserem. é assim mesmo. acreditando, ou não. quanto às nossas acções... bem, não é necessário explicar porquê é que temos ter atenção às nossas acções, verdade?

resumindo: só por hoje. estar presente, no aqui e no agora.

com ajuda do mestre víctor fernández

texto original aqui...

5.26.2015

{frestas de luz ao amanhecer}



os últimos dias têm sido assim: o que se plantou já deu frutos e há que colher o que se semeou. as sobremesas têm sido fartas de todas as cores. os sabores e os cheiros? indescritíveis. aqui, as coisas sabem àquilo que é suposto saberem e cheiram àquilo que é suposto cheirarem. tudo é tão real, tão vivo. tão simplesmente, simples.

quanto ao "cair da ficha", creio que começo, finalmente, a aceitar que aqui é o meu lugar e que, finalmente, estou onde tenho de estar.

sinto-me, cada vez mais, no meu centro. mais perto de mim, de quem sou, de quem quero ser. estou mais calma, sinto-me mais serena. re-encontrei o reiki, re-encontrei a minha espiritualidade. e re-encontrei, tudo isto, com as mãos na terra, os pés descalços e a pele ao sol.

agora, sob a luz da tímida lua e embalada com o concerto que as cigarras estão a protagonizar, vou-me deitar. amanhã, é dia de começar de novo ♡

 créditos da imagem | net

5.20.2015

{essência de farol, porto seguro, abrigo... abraço}



eu queria um grupo. como aquele grupo de yôga que eu tinha, na amadora, há muitos anos atrás. um grupo unido, com essência de farol, de porto seguro, de abraço, onde a verdadeira amizade, a paz, o amor, a luz imperavam. mas... eu não estava a encontrar nenhum grupo, assim. até que me surgiu esta ideia: porque não criar um grupo virtual? assim, conseguiria inserir-me num grupo, como tanto desejo e - cereja no topo do bolo - muitos dos membros poderiam ser, os meus amigos queridos ♡.

aqui fica, então, o grupo reiki soul que, com a minha mãe, Adelaide Teixeira, começamos a criar - nesta primeira fase, ainda virtual. sintam-se convidados e muito, muito bem-vindos! muita paz e muita luz para todos ♡

5.17.2015

{só por hoje...}



porquê só agora? cerca de década e meia, após a primeira iniciação?

é costume ouvir que, quando o aluno está pronto, o mestre aparece. assim, foi comigo. ao logo de mais de dezasseis anos, o reiki foi, para mim, uma presença discreta, algo que eu sabia que estava comigo, sempre que necessitasse. contudo, poucas foram as ocasiões, em que me recebi ou partilhei esta energia maravilhosa, que é o reiki. não sei explicar a razão, simplesmente, não praticava o que tinha aprendido, tanto no primeiro como no segundo nível.

até ao dia em que se dá o clic. convidaram-me para uma partilha e eu fui. posso dizer que, o que aconteceu, foi realmente especial. eu, que fora convidada para partilhar, senti-me receber. e, foi nesta mesma altura que me apercebi, o quanto eu necessitava de re-introduzir o reiki, na minha vida.

dei, então, início a um estudo pormenorizado, sobre esta filosofia de vida. sim, para mim, o reiki - para ser verdadeiramente sentido - deve ser vivido segundo os cinco princípios do reiki. e, para se viver segundo o Gokai, deve-se estudar e praticar, todos os dias, em todos os momentos, em todos os nossos actos.

confesso: não é fácil. mas, sempre que consigo ultrapassar mais um obstáculo, o sentimento é reconfortante e, sem dúvida, encorajador.

este espaço foi criado com o objectivo de compilar toda a informação, a que vou acedendo. servirá, ainda, para registar os meus testemunhos, como reikiana praticante. este espaço contará, também, com a participação da reikiana adelaide teixeira, minha mãe. terapeuta de longa data, que contribuirá com experiência, conquistada após décadas de partilhas, sucesso e aprendizagem.  

a vossa participação é, de igual modo, relevante para este aprendizado. recorrendo, mais uma vez, ao dito popular, é necessário uma aldeia para educar. sintam-se, por isso, convidados a partilhar connosco, as vossas experiências, ou a colocar as vossas dúvidas - que poderão ser, também, as nossas dúvidas, e juntos poderemos chegar mais longe.

o reiki é um caminho repleto de luz, amor, esperança... podemos contar com a vossa companhia?


namasté*
*[o deus que há em mim, saúda o deus que há em ti]



texto original aqui...

| this is a "pity me post", but it's ok


dói-me.

já não é necessário questionar o quê. porque nove em cada dez vezes, quando dói, dói tudo. como se a pele se transformasse numa espécie de camisa de forças, feita de ferros ardentes que se espetam na carne até às articulações, até aos ossos.

dói-me.

as pessoas, que me rodeiam, tornaram-se imunes a este rotineiro lamento. encolhem os braços, fazem aquela careta característica, como se a dizer, "coitadinha" ou - em última instância - fingem que não ouvem.

eu não os condeno. não é fácil (con)viver com alguém doente, 24 sobre 24h. não é fácil ser-se o outro, o saudável, o que vive sem dor. porque nem todos nascem para serem enfermeiros (nem eu queria que assim fosse), ou porque, outros não sabem mais o que fazer para ajudar, afinal, tentaram tudo o que estava ao seu alcance... sem sucesso.

dói-me.

hoje, tomei banho, pela primeira vez, na nossa casa-de-banho grande. não é costume. o planeta não tem água para gastar nos meus devaneios. hoje, contudo, abri uma excepção. os banhos de imersão, com sal e muito vinagre, costumam aliviar a dor.

deitei-me na banheira, com a grande janela aberta para o exterior. dali, consegue-se ver a chaminé rústica, da casa lá do fundo da rua.

distraí-me, por instantes, do motivo que me levou a tomar aquele banho de imersão. por vezes, sinto um chamado sedutor, por parte da morte. não que eu queira morrer. não, nada disso. muito pelo contrário. a morte é demasiado definitiva e eu quero viver. viver muito. viver tudo a que tenho direito. mas, se existisse uma espécie de morte de curta duração... para aí de 20 e poucas horas, eu não hesitaria. ainda mergulhei, várias vezes... mas, não é possível. que pena.

não. dormir não é uma hipótese.

dói-me.

quando me deito (não tenho posição para estar). quando me viro (a dor aumenta ainda mais). não... a dor não me permite esse capricho de querer dormir umas horas, que sejam, sossegada. por isso, essa ideia de morte de curta duração, me fascinar.

[quando era criança tinha esta espécie de esperança que Deus me transformasse numa barbie. bem, no meu tempo, a boneca chamava-se tucha e era bem mais saudável. eu queria ser como a boneca e rezava fervorosamente para que tal acontecesse... a razão? sempre que me doesse algo, eu poderia "desencaixar" o membro que me doesse. tipo, a perna ou o braço. sim, conheci cedo a dor. posso até afirmar, que somos amigas de infância.]

dói-me.

e já nem sei mais o que pensar, o que dizer, muito menos, o que escrever. porque até o acto de pensar ou falar, agrava a dor.

escrever, então...

5.16.2015

| pág. 134 de 364



"tal como as nuvens empurradas pelo vento, ele também não tinha pressa. não se importava que as coisas levassem o seu tempo. deixou de pensar e entregou-se ao fluir do tempo. naquele instante, o mais importante era o fluir natural e regular do tempo." 

haruki murakami

5.15.2015

42 anos.


tanto que se passou. tanto que passei. tanto que perdi e tudo o que ganhei (que superou - de longe - o perdido). tanto que aprendi, tanto que me falta aprender. todos os caminhos percorridos... tantos que me esperam, para percorrer.

tanto, tanto, tanto...

tanto que festejo, hoje. porque a vida é feita de dias assim. dias em que se festejam toda uma vida, todos os dias, desde o nosso nascimento. festejamos, principalmente, as derrotas, porque, sem elas, não conseguiríamos valorizar todas as vitórias. e as minhas foram tantas... foram imensas.

hoje, celebro cada dia da minha vida: cada tropeço, cada queda, cada lágrima. cada conquista, cada sucesso, cada vitória.

cada sorriso.

hoje, celebro a minha família. hoje, celebro os meus amigos.

hoje, celebro-me.

feliz aniversário, para mim.

e feliz aniversário a todos, porque cada dia é dia de aniversário, é dia de começar de novo. dia de celebrar-nos.

{sinto-me grata por todas as vossas mensagens. é muito bom, ser mimada ♡ }

5.07.2015

" (...) vive cada estação enquanto elas duram, respira o ar, bebe a bebida, saboreia a fruta (...)"*


"(...) e deixa-te levar pelas influências de cada uma (...)" 

*henry david thoreau


acontece-me, com alguma frequência. principalmente, à noite, enquanto fecho as portadas das janelas de nossa casa. o ar fica repleto de votos de boas noites, de passarinhos para passarinhos. uma doce mistura de onomatopeias, preenche o silêncio característico das noites, aqui no campo. chilreares que se misturam aos zumbidos e outras tagarelices.

são momentos como este que me fazem perceber que sim, estou aqui e lisboa está lá longe... uma dia destes, comentava com a minha colega, como ainda não me sentia migrante. como se, de uma dia para o outro, fizesse as malas e regressasse. 

regressar... 

"ainda não te caiu a ficha, não é?" é, amélia... ainda não me caiu a ficha. ainda não sinto, nas pequenas coisas do dia-a-dia, que este é o meu novo mundo. que esta casa - que eu adoro - é minha; que este jardim lindo, é meu; que a horta que cresce, produz legumes e frutos para a nossa mesa. que este é o meu lar.

o nosso lar.

o lar é onde o nosso coração está e o meu está aqui. então... porque é tão estranha, esta sensação que sinto? sinto-me como se estivesse de férias, à semelhança de outros anos. sinto, lá no fundo, aquela ansiedade que aumenta, ao aproximarmo-nos do dia de regresso.

regresso.

tenho alturas em que a minha cabeça, não é mais, que um imenso novelo de lã, após ter passado pelo assustador tufão luna... 

então, eu saio à noite, fecho as portadas das janelas e, de igual forma, os olhos. e atenta, escuto:

os votos de boas noites, de passarinhos para passarinhos. a doce mistura de onomatopeias que preenche o silêncio característico das noites, aqui no campo e os chilreares que se misturam aos zumbidos, aos cri-cris, aos pu pu-pu... e tantas outras vozes que se juntam, nesta imensa orquetra que se reúne, todas as noites, à minha volta.

(um dia, a "ficha" acabará por cair)