4.10.2015

eu avisei do mau-humor, não avisei? avisei!



as meninas são todas como eu:
a guardar astros que serão bordados,
a recolher os olhos deslumbrados
depois de uma viagem pelo céu.

natércia freire

a última semana foi uma semana estranha. o suficiente para conseguir abalar o meu auto-tratamento, que tanto me tem dado que fazer. a vida tem destas coisas, eu sei. é o que faz viver em sociedade. somos sujeitos a críticas e  julgamentos constantes. temos que ser "assim", agir "assado". tentar, até ao absurdo, agradar a fulano, sicrano e beltrano - mesmo que isso implique sermos, totalmente, desprovidos de nós mesmos.

tentei, ao longo de uma vida, fugir a tanta insensatez. viver em prol das opiniões alheias? isso nunca foi para mim. contudo, há alturas em que, a nossa única e derradeira alternativa, é engolir em seco e representar. eu representei durante alguns anos. não gostei. não fui feita para o teatro... fugi, por isso, para longe. ou, assim, pensava eu.

longe da grande cidade e dos seus caprichos, pensei que poderia voltar a ser eu, tal como sou, tal como sempre fui. pensei errado. eis que, de repente, tenho uma miríade de pessoas a traçar o meu perfil, baseados em verdadeiros absurdos.

como se o facto de vestir cor-de-rosa pudesse ser indicação do grau de maturidade de alguém. melhor: como se eu necessitasse dos palpites de terceiros, sobre o meu grau de maturidade. ou que, o facto de gostar de andar de baloiço ou rebolar da areia, me tirasse a capacidade de concretizar, seja lá que projecto fosse. estar quieta num canto, também não faz uma velhinha, desmonto, por isso, essa vossa tese de maluquinha de arroios. até porque eu nasci em são sebastião da pedreira, o que faz de mim, uma alfacinha. ou, ainda, os adereços que gosto de usar na cabeça: pelo grau de preocupação demonstrado por esse grupo de auto-denominados "profilers", eu deveria estar internada.

pessoas: sei que devem-se sentir cheios de si mesmos, só pode. se for esse o caso, ide rebentar longe, porque eu adoro ter tudo limpo (e isso, sim, reconheço, é uma obsessão... que eu adoro, btw).

tudo o que tinha que provar, já provei. a mim mesma, claro. porque nunca senti necessidade de provar nada a ninguém. eu sou mais eu e eu me basto.

e, por favor, eu já expliquei mas explico novamente: por mais que tudo esteja cinzento, à minha volta, procurarei, sempre, todas as cores do arco-íris. incluindo o cor-de-rosa!

agora, deixai-me em paz, quieta no meu canto ou a andar de baloiço, vestida de cor-de-rosa e de lenços e ganchos na cabeça. 

(e vão-se encher de moscas que o vosso mal é fome. ou falta de ter o que fazer. não sei. e também não quero saber. mas fica dica: trabalhar a sério - como eu e muitos, trabalhamos - ajudar a passar os tempos livres).


  

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