4.08.2015

{da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo*}


*alberto caeiro

hoje acordei de mau-humor... daqueles feios. só me apetecia desatar à bofetada, mais especificamente, com os mal-humorados da vida, que só ficam satisfeitos quando te fazem acordar como eles: mal-humorada (e com vontade de desatar à bofetada).

não desatei à bofetada, contudo. depois de dar um jeitinho à casa, peguei na bicicleta e fui. já não pedalava há vários meses e tenho andado com estas tonturas que me deixam demasiado tonta, para pedalar. mesmo assim, fui. 

primeiro, até ao fundo da rua. depois, até ao fim da estrada velha. a seguir, passei o recinto da feira de s. mateus. e, finalmente, cheguei à ciclovia, ao lado do fórum viseu. nunca tinha feito aquele percurso. com o rio paiva, como companhia, fui até ao fim. parei umas cinquenta vezes, para tirar fotografias, inspirar o verde que me rodeava e ouvir as sábias árvores que, com a ajuda do velho (e, também ele, sábio) vento, sussurravam, confidências embaladas em serenas melodias. 
tudo vai ficar bem... 
...porque tudo está bem.

revigorada, porque a natureza tem, em mim, esse efeito, fiz o restante percurso a pé, até marzovelos. a pé, porque não tenho pernas que consigam fazer frente às subidas que se seguem. por enquanto, claro.

no alto de marzovelos, vê-se o mundo. sempre que posso, demoro-me ali. aquela paisagem é...

e por é tudo isto (pela paisagem, pelo rio paiva, pelo vento, pelas árvores, pelos caminhos...), que quando me perguntam o porquê de ter trocado a "grande cidade", pela aldeia, eu peço emprestadas as palavras a caeiro e respondo:

do pequeno tamanho da minha aldeia, pode-se ver o mundo

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