4.01.2015

| assim é, a cada anoitecer


"sei o caminho de casa."*

nunca gostei dos regressos a casa, após o trabalho. longos, aborrecidos e cansativos (muito mais cansativos que uma dezena de horas de trabalho árduo). o anoitecer era, para mim, o pior momento do meu dia. 

trânsito infernal, pessoas aos encontrões, barulho insuportável de uma cidade que nunca dorme... costumava chegar a casa, exausta, doente e, completamente, vazia de mim (como se as pessoas me tivessem sugado, a pouca energia que me restava, durante aquele período em que estivéramos todos amassados, uns contra os outros, no autocarro).

tudo mudou. agora, sempre que saio do trabalho, à noitinha, tenho - como música de fundo - o rio pavia e os passarinhos. também há pessoas, claro. e, também elas terminam o seu dia de trabalho. mas não correm. para quê? ao ritmo de um simples e agradável passeio, regressam a casa...

cada anoitecer é, agora, uma espécie de caminhada tranquila, onde a minha mente se aquieta e o meu corpo serena. 

dizer que me sinto grata, é pouco. porque não tenho palavras que consigam definir, aquilo que sinto, sempre que passo na pequena ponte, que atravessa o rio... ainda deslumbrada com tudo que me rodeia, apuro os meus sentidos, para que nada me falhe. 

"e isto, consola-me de viver"* 


*bernardo soares

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