3.09.2015

{tal como a lua}


no quarto, o armário estava dividido em dois. de um lado, roupa formal: fatos de cores neutras, camisas, sapatos de salto alto; do outro lado, cor... muita cor: lenços, vestidos fluidos, calças largas, saias compridas e rodadas, tops de atar ao pescoço e chinelos.

acordar uma ou outra, para mim, era algo tão natural como beber água ou comer. era assim, desde muito jovem, sem nunca me questionar porquê... e até a minha família [a mais chegada], os meus amigos ou a minha gata conseguiam distinguir quando acordava uma ou quando acordava outra, só de olharem para mim. e todos reagiam normalmente a esta espécie de alienação mental [totalmente absurda, diga-se...].

não consigo explicar porquê, só sei que durante estes últimos anos, tudo mudou [felizmente, porque acho que não conseguiria continuar a ter a paciência necessária, para tanta insensatez]. talvez a doença me tenha tirado a capacidade de ser uma ou outra... sim, deve ter sido isso. hoje, não uso fatos nem tão pouco, ando de fita no cabelo. não sou uma nem outra.

contudo, daquela loucura sobreviveu uma miscelânea das duas.
eu.

e não é fácil viver comigo. tenho fases, com a lua. por isso, tento viver um dia de cada vez [passo a passo] sempre com um sorriso [porque o sorriso é essencial - para mim, para ti... para ele]. agradeço, ao deitar, todo o meu dia: as coisas boas e as menos boas [porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].

eu sou inteiramente responsável por tudo o que me acontece... seja o bom, seja o menos bom. porque eu faço o meu caminho com as minhas decisões, os meus pensamentos. se estiver sempre a reclamar da vida com pensamentos desagradáveis, acredito que o universo faz-me a vontade. tipo: já que pensas tanto nisso, aqui está mais do mesmo...

por isso, canto. e danço. mesmo na rua... são os meus interruptores secretos. assim que um pensamento menos bom aparece na minha mente, ligo o interruptor e esse pensamento se desvanece com uma nuvem de fumo [há quem diga que foge de medo porque eu canto mesmo mal, hummm. não sei. provavelmente].

também ando sempre com a minha máquina fotográfica na mala. e nada me escapa... eu adoro fotografar, mesmo sem sentido. não sou fotógrafa, eu sei. mas gosto de captar na minha máquina momentos, cores, luz. são livres de técnica porque, como disse, não sou fotógrafa. umas focadas, outras nem por isso: são as minhas fotografias, tiradas ao acaso ou talvez não. cada imagem é, em si, um poema dedicado à vida porque sem a vida não há momentos, não há cor… não há luz. 

e escrever. também me refugio na escrita. lava-me a alma, ajuda-me a perceber, o quanto tenho a agradecer [e tenho tanto...]. adoraria escrever bem, como tantos autores que escrevem, nessa imensa blogosfera. estou longe, muito longe dessa mestria que é escrever bem.

eu só escrevo o que vai cá dentro, como se de uma espécie de purga, se tratasse. e, tal como a fotografia, livre de técnica, porque não sou escritora [confesso que tenho uma invejazinha, assim, pequenina, de quem escreve com arte].

fico muito feliz, então, pelos vossos comentários. elevam-me o espírito e, muitas vezes, conseguem concretizar, o que esse exercício de escrita, falhou [porque, por vezes, falha]: mostrar que tudo vai ficar bem. que tudo está bem.

sinto-me grata, muito grata pelo vosso carinho e pelas vossas palavras de incentivo. e aqui estou, toda babada de mim mesma. e isso, é bom. muito bom. mesmo não sendo uma escritora de verdade, mesmo sabendo que vós sois uns queridos exagerados.


♥ u all!!!

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