3.26.2015

| dos dilemas...


há dias assim, cinzentos. e, mesmo tendo a consciência que o sol brilha à semelhança dos dias ensolarados, não conseguimos ver para lá da escuridão. hoje, para mim, o dia está escuro e triste. e por mais que eu pratique o "lado b" da vida, sinto-me a perder as forças. 

viver em sociedade é demasiado complicado para mim. já foi o tempo em que tinha paciência de jó e aturava tudo de terceiros. hoje, essa paciência está, cada vez, mais mirrada... e, o mais grave: definha-se de dia para dia.

pergunto-me até quando. até quando é que terei a paciência necessária para viver em comunhão com terceiros...

eu já fui só (sozinha não solitária, leia-se). perdão, eu e a luna já fomos sós. e bastávamos. não é que eu não goste de privar com as pessoas que me rodeiam. muito pelo contrário. o problema é a minha falta de paciência para pessoas de mal com a vida que, ao invés de tentarem resolver os seus problemas, vivem em prol de atormentar, o mais possível, a existência daquele que se encontra mais próximo.   

eu tenho alguns problemas de saúde que, com o tempo, aprendi a controlar. uma das maneiras de controlar as crises, é praticar o tal "lado b" da vida. nem sempre fui assim. mas a doença é sábia e quando aparece, tem como agenda, ensinar-nos. cabe-nos aprender, ou não. eu aprendi, da forma mais dolorosa possível. mas aprendi.

aprendi a ver com olhos de ver e a agradecer com sentimento, todas as bênçãos. a vida é, de facto, tão maravilhosa... e sinto-me tão abençoada, tão grata por tudo aquilo que consegui...

o problema, aqui, são os outros. não aprendem nem querem aprender. e também não aceitam qualquer tipo de ajuda. preferem enveredar por outro caminho: infernizar a vida, aos que os rodeiam, como se isso, lhes alimentasse, de alguma forma, a sua alma vazia e ressentida. e, com estas atitudes, sobram para o desgraçado que está, ao lado, as crises, as dores, as doenças.

e resta, assim, o dilema: ficamos ou partimos?

...

3.25.2015


"o tempo passa. o fôlego retorna. parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. a alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. e ele chega."  
ana jácomo

3.20.2015

{hoje é dia de começar de novo ♥}

a primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
 cecília meireles


ao contrário de todos os outros anos, este ano tenho um jardim para recebê-la. e ela já chegou. há flores de todos os tons, no meu jardim. as magnólias, as camélias, os lírios e até os pequenos junquilhos se trajaram a rigor, para dar as boas-vindas à primavera.

foi (me) longo, o inverno que hoje termina... mas, como diria cecília, aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira.

à semelhança das flores, para mim, hoje é dia de começar de novo e, tal como elas, sinto-me preparada para este novo ciclo que se inicia 

3.19.2015

{com o pai assim, todos os dias são dias do pai ♥}


lembro-me de estar deitada a dormir. a noite ia alta. foste até ao meu quarto e acordaste-me. olhei para ti, com os olhos meio enevoados do sono.

vi o pai natal, lá fora: mandou-me dar-te isto, disseste-me.

um coelho de peluche gigante! saltei da cama e abracei o meu coelho gigante, muito maior do que eu, que era tão pequenina, ainda. e enchi-te de beijos. deitei-me com o meu coelho gigante que mal cabia na minha cama. porque é que o pai natal me deu este coelho tão grande? ainda falta mesmo muito tempo para o natal, a mãe disse-me que ainda é verão e o pai natal só vem no inverno... olhaste para mim e sorriste.

o pai natal está sempre perto de nós. vá, agora dorme...

e eu dormi... com um sorriso do tamanho do meu coelho gigante.

3.16.2015

quem escreve assim...



"tenho quarenta e dois anos; na vida, procuro sobretudo o silêncio. não o silêncio da solidão e da angústia, dos dias em que vivi morta e chorei. é um outro silêncio. retiro das coisas mais simples um prazer genuíno e intenso: ouvir o fervilhar dos passarinhos nas árvores, ler o jornal de uma ponta à outra, ligar a telefonia no instante em que se escuta o primeiro acorde daquela canção antiga. leio como outros vêem televisão, para ocupar os serões, para adiar o momento em que apago a luz e o ruído começa."

3.15.2015

| a primavera chegou mais cedo ♥


todos os dias são dias de celebrar. o acordar, o estarmos vivos... há dias, ainda, em que essa celebração toma proporções inimagináveis. o dia em que nos dizem que tudo está bem. que o "bichinho" mantém-se quieto, silencioso. nesses dias, o mundo fica menos pesado, a natureza mais verde, o sol mais quentinho e o ar... o ar volta a ser puro... leve. 

a primavera chegou mais cedo, na nossa família. e estamos todos gratos, por isso. muito gratos..

3.09.2015

{tal como a lua}


no quarto, o armário estava dividido em dois. de um lado, roupa formal: fatos de cores neutras, camisas, sapatos de salto alto; do outro lado, cor... muita cor: lenços, vestidos fluidos, calças largas, saias compridas e rodadas, tops de atar ao pescoço e chinelos.

acordar uma ou outra, para mim, era algo tão natural como beber água ou comer. era assim, desde muito jovem, sem nunca me questionar porquê... e até a minha família [a mais chegada], os meus amigos ou a minha gata conseguiam distinguir quando acordava uma ou quando acordava outra, só de olharem para mim. e todos reagiam normalmente a esta espécie de alienação mental [totalmente absurda, diga-se...].

não consigo explicar porquê, só sei que durante estes últimos anos, tudo mudou [felizmente, porque acho que não conseguiria continuar a ter a paciência necessária, para tanta insensatez]. talvez a doença me tenha tirado a capacidade de ser uma ou outra... sim, deve ter sido isso. hoje, não uso fatos nem tão pouco, ando de fita no cabelo. não sou uma nem outra.

contudo, daquela loucura sobreviveu uma miscelânea das duas.
eu.

e não é fácil viver comigo. tenho fases, com a lua. por isso, tento viver um dia de cada vez [passo a passo] sempre com um sorriso [porque o sorriso é essencial - para mim, para ti... para ele]. agradeço, ao deitar, todo o meu dia: as coisas boas e as menos boas [porque acredito que, até das situações menos agradáveis, se pode tirar uma lição e as lições são importantes: ajudam-nos a crescer].

eu sou inteiramente responsável por tudo o que me acontece... seja o bom, seja o menos bom. porque eu faço o meu caminho com as minhas decisões, os meus pensamentos. se estiver sempre a reclamar da vida com pensamentos desagradáveis, acredito que o universo faz-me a vontade. tipo: já que pensas tanto nisso, aqui está mais do mesmo...

por isso, canto. e danço. mesmo na rua... são os meus interruptores secretos. assim que um pensamento menos bom aparece na minha mente, ligo o interruptor e esse pensamento se desvanece com uma nuvem de fumo [há quem diga que foge de medo porque eu canto mesmo mal, hummm. não sei. provavelmente].

também ando sempre com a minha máquina fotográfica na mala. e nada me escapa... eu adoro fotografar, mesmo sem sentido. não sou fotógrafa, eu sei. mas gosto de captar na minha máquina momentos, cores, luz. são livres de técnica porque, como disse, não sou fotógrafa. umas focadas, outras nem por isso: são as minhas fotografias, tiradas ao acaso ou talvez não. cada imagem é, em si, um poema dedicado à vida porque sem a vida não há momentos, não há cor… não há luz. 

e escrever. também me refugio na escrita. lava-me a alma, ajuda-me a perceber, o quanto tenho a agradecer [e tenho tanto...]. adoraria escrever bem, como tantos autores que escrevem, nessa imensa blogosfera. estou longe, muito longe dessa mestria que é escrever bem.

eu só escrevo o que vai cá dentro, como se de uma espécie de purga, se tratasse. e, tal como a fotografia, livre de técnica, porque não sou escritora [confesso que tenho uma invejazinha, assim, pequenina, de quem escreve com arte].

fico muito feliz, então, pelos vossos comentários. elevam-me o espírito e, muitas vezes, conseguem concretizar, o que esse exercício de escrita, falhou [porque, por vezes, falha]: mostrar que tudo vai ficar bem. que tudo está bem.

sinto-me grata, muito grata pelo vosso carinho e pelas vossas palavras de incentivo. e aqui estou, toda babada de mim mesma. e isso, é bom. muito bom. mesmo não sendo uma escritora de verdade, mesmo sabendo que vós sois uns queridos exagerados.


♥ u all!!!

3.08.2015

[e um obrigada à minha vizinha, pelas memórias...]


enquanto estendia a roupa, senti um aroma familiar. pé ante pé, procurei a origem. espreitei por cima do muro e vi a minha vizinha, em frente a um tanque, a lavar roupa. sentei-me de costas para o muro e ali fiquei, de olhos fechados... nostálgica.

lembrei-me, num outro espaço e num outro tempo, do aroma a sabão natural ficar cada vez mais intenso, à medida que a água corria solta pelo tubo de plástico preto. com uma escova de cerdas rijas, o tanque [enorme] era bem lavado e voltava-se a encher de água para receber a próxima leva de roupa suja.

mas... antes da roupa suja, um miminho para nós, miúdos pequenos: de fato de banho vestido, toca a brincar a tarde toda, até ao sol se esconder por de trás das grandes montanhas que abraçam a pequena aldeia.

da mangueira de cor bege, desbotada pela passagem dos tempos, jorrava água transparente com cheiro a terra e um sabor indescritível [tão saborosa...].

bolas de sabão subiam pelo ar e, quando rebentavam, partículas de arco-íris espalhavam-se ao vento [quente] daquelas tardes de verão.

brincávamos tanto: espalhávamos a água toda, saltávamos de mãos dadas...

os domingos [dos verões da minha infância, lá na terra dos sonhos] eram, assim, passados... com muito divertimento, repleto de risos de criança.

hoje é domingo... um sorriso terno, uma lágrima de saudade...

3.04.2015

{feliz aniversário, minha mãe tão linda... ♥}


se me perguntarem o que é ser mãe, não saberei responder. apesar de já ter sido chamada de mãe, nunca o fui e também não o serei. ser chamada de mãe foi, somente, um efeito secundário ternurento, dessa profissão linda que exerci, há alguns anos.

se me perguntarem o que é ser mãe, não saberei responder mas saberei responder, se me perguntarem o que é ser filha.

ser filha é estar num quarto escuro com tons de vermelho, com um pano dessa mesma cor, por cima do candeeiro da mesinha de cabeceira. afasta o bichinho que provoca o sarampo, disse-me. então, está bem, respondi. lembro-me de ter ficado nesse quarto, durante algum tempo. nunca aborrecida, contudo. todos os dias, a minha mãe oferecia-me um miminho especial. para afastar a tristeza,  -explicava - por não poderes ir brincar com os teus amiguinhos. lembro-me de um conjunto de chá, em loiça, pequenino... tão pequenino...

ser filha é isso. ter recordações doces com esta. ser mãe deve ser único, sim... mas, ser filha... é de certeza.

3.03.2015

| começar [tão] bem o dia


estava tão habituada a estender a roupa no estendal de alumínio, dentro de casa, que ainda não tinha estreado o meu estendal novo, que se encontra perto do nosso jardim. hoje, foi o dia. e foi bom... muito bom.

estender a roupa, ao ar livre, nas primeiras horas do dia... ser acariciada pelos primeiros raios de um sol, apesar de tímido, quentinho e embalada pelo o canto dos passarinhos... respirar o doce aroma das primeiras magnólias...

foi, sem dúvida, inspirador.

quem me conhece, sabe como estas coisas simples, me fazem feliz. sinto que, finalmente, estou onde sempre sonhei estar, aproximando-me, cada vez mais, de quem, realmente, sou.



3.02.2015

"o que pensas fazer com a máquina?"


posso dizer que nasci e cresci entre linhas, tecidos e botões. o meu pai aprendeu o ofício com o meu tio-avô, que era alfaiate. a minha mãe costureira desde menina, fazia os acabamentos dos fatos, até tarde da noite. a minha avó paterna era a costureira da aldeia e a minha mana, ainda não frequentava a escola primária e já fazia vestidos para as bonecas. a minha prima, também ela, uma costureira de mão cheia, tem uma filhota, que costura tudo, até cortiça.

nascida e criada no meio de trapos e linhas e com esta "linhagem", faria todo o sentido que eu fosse uma costureira de primeira. pois... mas não. nem um botão, quanto mais umas bainhas... é que eu tenho duas mãos esquerdas... percebem? não, decididamente, não tenho jeitinho nenhum, para a coisa. não faço ideia como segurar uma agulha. e ainda estou para entender para que serve o dedal.

"e o que pensas fazer com a máquina?", pergunta a minha mãe, num tom jocoso. o meu pai, de sorrisinho maroto na cara, faz-me a mesma a pergunta...

bem... quando conseguir interpretar as instruções da máquina (???) e montar a dita, tentarei costurar. se conseguirei aprender a fazer uma bainha ou a pregar um botão, não sei. só sei que irei tentar. e, como não há nada que eu não tenha tentado, que não tenha conseguido, esperai povo de portugal e arredores! o meu nome será conhecido!

:)  

3.01.2015

| porque morar no interior, tem coisas destas...


saio de casa e em menos de cinco minutos, estou na ribeira. fecho os olhos... se alguma dúvida teimava em persistir, o som da água a cair, na pequena represa, devolve-me essa certeza que procuro. essa certeza que sou (somos) parte dessa natureza que nos envolve e que, por essa razão, tudo em mim (nós) é perfeito. 

com um pé na ribeira, sinto a paz que almejava e relembro-me algo que aprendi, há muito, muito tempo: a vida "não dá ponto sem nó".

então, o melhor que há a fazer, é respirar fundo, manter a fé e acreditar. porque, tal como o rio, necessitamos de ultrapassar obstáculos que a vida, tão sabiamente, nos proporciona, para nos fazermos grandes.