2.08.2015

| a espondilite e o lado b da vida


quando se sofre de uma patologia como a espondilite, a rede de apoio é essencial. mas hoje, não irei falar dos meus amigos de sempre, nem da família. hoje, gostaria de prestar a minha homenagem a todos os  meus amigos espodiliticos. 

só quem tem espondilite, compreende a dor, a rigidez, o cansaço e a incapacidade inerente à doença. e, nada como ter um grupo de pessoas com o mesmo problema. juntos, desabafamos, questionamos, trocamos experiências, descobrimos formas de dar volta à coisa... tornando-se, desta forma, muito mais fácil progredir no caminho.

este meu grupo de "companheiros na doença" divide-se em três: o grupo português, o grupo brasileiro e o grupo americano. este último é, sem dúvida, o mais pragmático, lidando com a doença de uma forma consciente e programada. o grupo português vê na doença, o fado... um destino longo, um lamento triste, doloroso. o grupo brasileiro, por sua vez, desafia a doença, tornando-a, mesmo durante as piores crises, em samba: com ritmo. muito ritmo - exactamente, o oposto dos efeitos da espondilite, que nos deixa calcificados, sem movimento.

correndo o risco de melindrar, de alguma forma, o grupo no qual me incluo, dirijo-me a este meu grupo muito saudavelmente louco, que é o grupo brasileiro: quem me dera ser com vocês e conseguir sambar, ao invés de estar, para aqui, a cantar, neste "tom magoado de dor e de pranto". muito melhor seria, estar a sambar... mas que posso eu fazer? "foi Deus que me pôs no peito, um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar"...

(mas, um dia, eu chego lá! e conseguirei ver o lado b da vida, mesmo tendo um parafuso gigante, incandescente, a rodar ad eterno, na minha sacroilíaca direita!)

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