1.18.2015

{ hoje o dia acordou cinzento… }


@ guincho

o céu é triste e chora. o vento soluça um vendaval de lamentos, pede colo… sente-se só.

eu também já estive assim. mergulhada num revolto de sentimentos amargurados, deixei-me perder num mar confuso, de ondas perdidas que se embatiam sem compreenderem a causa de tanta desorientação. 

sem mais forças para lutar contra essas ondas, desisti e deixei-me levar pela ira do mar. depressa cheguei ao fundo. sombrio, gélido, abandonado… o fundo do mar é assim. mas, para mim, estava bem assim. alias, melhor… não poderia ser.

ali inventei a paz que tanto almejava. ali forjei a minha vida e criei a minha história. era uma história simples: estava só e queria continuar só… vazia de sentimentos e, por tal, vazia de emoções. corpo frio na noite, despido de mim. vivia ao sabor das pequenas oscilações de água – poucas, porque no fundo do mar, o movimento é quieto.

o silêncio… como me deleitava o silêncio. adormecia-me com a sua voz tranquila, sossegada: voz emudecida. e eu dormia sonhos despojados de cores, tal como o fundo do mar.

e, assim esvoaçava a existência por mim.

mas, eis que de repente tudo muda. um turbilhão fez-me voltar à superfície? não… não foi nenhuma agitação que me acordou do meu sono adormecido. mas, também não sei como foi.

só sei que, sem me aperceber, o meu corpo flutuava nas ondas calmas de um mar outrora tumultuoso. o sol brilhava como se sorrindo para mim, chamando-me para a vida.

assustada, lutei para voltar para o meu refúgio… lá sentia-me tão segura. eu precisava voltar.

mas as ondas do mar continuavam a sua doce dança, num bailado suave que me acalmava… o vento sussurrava-me ao ouvido delicadas melodias, notas de música que me faziam recordar devagarinho aquele sorriso quente que o sol me concedeu.

Sim… o sol brilhava grande, nesse dia. deixei-me vaguear sobre aquele leito de água cálida. abandonei-me ao calor do sol e entreguei-me ao seu amor.

agora, sinto que dentro de mim, tudo o que era pequenino, ficou grande. a gota de vida transformou-se num oceano de águas límpidas e serenas. um débil sopro de vida, tornou-se num tornado de felicidade. a ausência, ausente de mim mesma. a solidão escondeu-se e o tempo interrompido da minha vida, transfigurou-se inteiramente em tempo de vida. o arco-íris devolveu-me as cores aos meus olhos…

agora… posso dizer que sou feliz. o sol continua a aquecer-me a pele, sorrindo para mim. diz-me que já não preciso de ter medo.

que tudo vai ficar bem.

que tudo está bem.

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