1.27.2015

hoje, lembrei-me de ti...


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lembro-me de estarmos a meio da viagem, em pleno tejo. longe das margens, pertinho do bugio. um inglês mantinha-te seguro, entre as suas mãos. interpelei-o. explicou-me que voavas... e que caíste. e o que vai fazer com ele? quando chegássemos a terra, deixar-te-ia num relvado. [mas, tu não irias sobreviver sozinho, num relvado]. posso ficar com ele?

todos os dias, mal acordava, assobiavas. e eu assobiava. brincávamos, sempre, antes de sair para a escola. à noite, chegava do trabalho e lá estavas tu, à minha espera: batias as asas, saudando-me com o teu lindo assobio... antes de nos deitarmos, limpava a tua casita, trocava-te a água e a comida, enquanto brincavas com as minhas mãos. e beijavas-me o nariz com o teu biquinho [que saudade apertadinha...].

lembras-te?

[uma manhã, acordei. silêncio. assobiei. nada. corri... o teu corpo deixara de ser animado pelo teu espírito. voaste para um outro céu, numa outra dimensão diferente da minha. mas sei que continuas a visitar-me, a saudar os meus dias. a dar-me biquinho de boas-noites. até um dia... meu lindo periquitinho beethoven]

2 comentários:

Ritinha disse...

Os nossos amiguinhos têm quase sempre algo de tão especial, que quando partem deixam uma tremenda saudade! Compreendo bem o que aqui transmites. Valha-nos que esta é talvez uma das saudades mais puras, porque estes nossos amigos estão sempre connosco e jamais nos decepcionam, ficando apenas boas recordações no seu lugar!

Amélia disse...

Bem... fiquei triste... Saudades...