1.30.2015

| e, chegando a hora da partida....


"apronto agora os meus pés na estrada. ponho-me a caminhar sob sol e vento, eles secam as lágrimas. vou ali ser feliz..." 

 caio f. abreu

1.28.2015

renovação.


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depois de um longo mês de janeiro, eis que chega, o dia da partida. as caixas acumulam-se pelos cantos da casa. os sentimentos misturam-se, confusos, perdidos. tanto que fica... mas, o importante, neste momento, é a consciência que, sim, há uma etapa que acaba, para dar lugar a uma outra nova etapa, a uma nova caminhada.

e é para esta nova caminhada, que me tenho vindo a preparar: a mochila está quase pronta, só faltam uns bons sapatos, resistentes, confortáveis... parece que o caminho é árduo. pelo menos, foi o que me disseram, mas não estou preocupada. com o andar, depressa me habituarei ao terreno. a caminhada tornar-se-á mais simples, mais natural de se fazer. 

[sinto-me tão ansiosa... ainda não estou em mim, com tantas mudanças] 

1.27.2015

hoje, lembrei-me de ti...


pic @

lembro-me de estarmos a meio da viagem, em pleno tejo. longe das margens, pertinho do bugio. um inglês mantinha-te seguro, entre as suas mãos. interpelei-o. explicou-me que voavas... e que caíste. e o que vai fazer com ele? quando chegássemos a terra, deixar-te-ia num relvado. [mas, tu não irias sobreviver sozinho, num relvado]. posso ficar com ele?

todos os dias, mal acordava, assobiavas. e eu assobiava. brincávamos, sempre, antes de sair para a escola. à noite, chegava do trabalho e lá estavas tu, à minha espera: batias as asas, saudando-me com o teu lindo assobio... antes de nos deitarmos, limpava a tua casita, trocava-te a água e a comida, enquanto brincavas com as minhas mãos. e beijavas-me o nariz com o teu biquinho [que saudade apertadinha...].

lembras-te?

[uma manhã, acordei. silêncio. assobiei. nada. corri... o teu corpo deixara de ser animado pelo teu espírito. voaste para um outro céu, numa outra dimensão diferente da minha. mas sei que continuas a visitar-me, a saudar os meus dias. a dar-me biquinho de boas-noites. até um dia... meu lindo periquitinho beethoven]

1.25.2015

| se eu não gostar de mim, quem gostará?



mas qual é o 'eu' que sobrevive?
aquele que as pessoas vêem,
ou aquele que eu julgo ser?

yukio mishima

ao longo dos últimos tempos, tanto que mudou em mim. a mudança mais considerável foi, sem dúvida, a maneira como eu passei a ver o "outro". a opinião do "outro" foi [sempre] essencial para mim. o que pensava, como me julgava. também me preocupava demasiado em ajudar este e aquele, fossem quais fossem as situações. eu vivia para ver\fazer os outros felizes... muitas vezes, até em detrimento da minha felicidade.

hoje sei que estive errada, grande parte da minha vida.

os tropeções que fui dando, pelo caminho, ajudaram-me a perceber que essa não é a melhor maneira de viver. muito pelo contrário. viver em prol do outro, não é viver. é deixar que a vida passe por nós.

note to self:
primeiro eu...

não se trata de egoísmo. apenas, auto-estima, auto-preservação. tal como no anúncio: se eu não gostar de mim, quem gostará? e é isso mesmo.

todos podemos ajudar quem nos rodeia, aliás... devemos ajudar quem nos rodeia. contudo, primeiro temos que olhar para nós.

médico, cura-te a ti mesmo
(jesus)

há que fazer uma pausa. há que olhar para dentro de nós mesmos. há que tratar as feridas e deixá-las "ao ar", como diz a minha mãe. deixar que o sol e o vento fresco as beije, limpando-as, de uma vez por todas.

como fazer isso?

ao acordar, antes de qualquer coisa, agradecer. a vida, o hoje, o eu. a seguir: olhar ao espelho. e sorrir. amar quem está à nossa frente e dizer-lhe que sim, que confia plenamente em si mesma.

as pessoas vivem [sobrevivem] cegas, numa espécie de coma profundo. o sonambulismo tomou conta das suas vidas. acordam, trabalham, engolem comida, deitam-se, dormem... ou não.

a percentagem de pessoas com doenças mentais tem aumentado, consideravelmente, no nosso país. eu já fiz parte dessa lista de sonâmbulos que [sobre]viviam, arrastando-se pela vida. uma lista que cresce a cada dia que passa. cada cabeça, o seu motivo: família, finanças, saúde, trabalho...

e onde fica o eu? não fica.

se cada pessoa desse 5 minutos do seu tempo a si mesmo, muita coisa poderia mudar. cinco minutos à frente do espelho... não é fácil. eu sei. eu vivia para o trabalho, para o outro... não sobrava tempo, simplesmente, não sobrava.

[até ao dia em que uma doença parou-me e deu-me todo o tempo do mundo]

foram necessários anos, para perceber que eu estava errada. mas, o que verdadeiramente interessa, é que eu percebi que eu sou importante.

eu sou...
e se eu sou, tu és.

[de que estás à espera, para te ires ver ao espelho?]

1.24.2015

fui sabendo de mim por aquilo que perdia*



e aos poucos, descobri que tudo que perdi, não era nada, comparado com tudo o que tinha ganho.

foi difícil chegar até aqui, até esta conclusão... porque ensinaram-me a olhar só para o que se perde, para aquilo que não existe mais. porque é assim... estamos habituados a sentir [a chorar] somente o que deixamos de ter.

e sentimos a culpa. que nos confunde, nos transvia. e com a culpa, o "porquê isto?", "o que faço agora?" e corremos. à procura [vã] de respostas para as perguntas escusadas que teimam em ser.

corremos [num vertiginoso caminho que nos leva a lado nenhum] desesperados. perdidos. dementes. alucinados. à procura de nós mesmos.

até ao momento em que se dá a colisão com a nossa consciência. então, descobrimos que a resposta está em nós. somos nós.

e, como olhos de ver [ver vs olhar] tudo parece óbvio. fácil. e sorrimos.

afinal... eu não perdi.

afinal, eu ganhei.

superei obstáculos insuperáveis, tenho vitórias que celebro todos os dias, recuperei a vida, descobri o [verdadeiro] significado da palavra amizade, conquistei caminho...

sim, posso ter perdido... mas nada, mesmo nada... comparando com o que eu ganhei, com o que eu tenho tenho hoje.

*mia couto 

1.22.2015

ser eu.


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procuro despir-me do que aprendi. procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me e ser eu... 

 alberto caeiro

1.21.2015

...assim


pic @

lembro-me do dia em que o periquito amarelo entrou na casinha da costura. fomos comprar uma gaiola e trouxemos uma companheira para ele. ela era azul. linda. faziam um casal tão fofo. e tiveram filhotes, muitos. a branquinha, o tortinho, a verdusca... e tantos, tantos outros. desde então, o nosso pequeno quintal tornou-se num alegre e chinfrineiro cantinho. eu tinha uns cinco, seis anos... teria?

lembras-te?

1.19.2015

{caminhante}


@ s. leonardo de galafura

este tem sido o meu lema, ao longo de toda a minha vida. um passo de cada vez, o caminho vai-se fazendo. sempre em frente, sem olhar para trás e, de preferência, sem desvios ou corta-matos. com companhia, é o ideal. há caminhos mais ou menos fáceis, pelo que é importante a escolha do calçado a usar.

posso dizer que a minha infância foi uma das caminhadas, que mais me deu prazer. caminhava, sempre, a passo largo, para conseguir alcançar o meu pai. um passo dele, equivalia a dois meus. caminhámos bastante... tanto, que fiquei com o hábito de andar sempre depressa, mesmo quando tenho todo o tempo do mundo.

o caminho fez-se bem, durante a minha adolescência. foi uma boa caminhada [sempre acompanhada pela amizade de três caminhantes, como eu].

a uma certa altura, contudo, optei por um caminho que não estava previsto, porque olhei para trás e odiei o que tinha ficado lá longe. e eu que gosto tanto de seguir à risca os meus planos de viagem, desviei-me...

o desvio, paguei-o caro. o nevoeiro não me permitia ver o chão que pisava. andava às cegas. tacteava o piso, a terra, a gravilha. não. não sabia onde estava nem sabia para onde estava a ir.

o abismo. demasiado perto do abismo. onde eu parei. um dos meus pés ainda resvalou. quase caí...

agarrada pela mochila, arrancaram-me àquele destino. devolveram-me o chão, a terra firme.

hoje, de volta ao caminho certo, passo a passo vou caminhando...

[esperando nunca mais olhar para trás, nunca mais me desviar, esperando nunca mais ver o abismo... porque posso estar sozinha, porque posso resvalar e não ter ninguém que me agarre pelo casaco]

1.18.2015

{ hoje o dia acordou cinzento… }


@ guincho

o céu é triste e chora. o vento soluça um vendaval de lamentos, pede colo… sente-se só.

eu também já estive assim. mergulhada num revolto de sentimentos amargurados, deixei-me perder num mar confuso, de ondas perdidas que se embatiam sem compreenderem a causa de tanta desorientação. 

sem mais forças para lutar contra essas ondas, desisti e deixei-me levar pela ira do mar. depressa cheguei ao fundo. sombrio, gélido, abandonado… o fundo do mar é assim. mas, para mim, estava bem assim. alias, melhor… não poderia ser.

ali inventei a paz que tanto almejava. ali forjei a minha vida e criei a minha história. era uma história simples: estava só e queria continuar só… vazia de sentimentos e, por tal, vazia de emoções. corpo frio na noite, despido de mim. vivia ao sabor das pequenas oscilações de água – poucas, porque no fundo do mar, o movimento é quieto.

o silêncio… como me deleitava o silêncio. adormecia-me com a sua voz tranquila, sossegada: voz emudecida. e eu dormia sonhos despojados de cores, tal como o fundo do mar.

e, assim esvoaçava a existência por mim.

mas, eis que de repente tudo muda. um turbilhão fez-me voltar à superfície? não… não foi nenhuma agitação que me acordou do meu sono adormecido. mas, também não sei como foi.

só sei que, sem me aperceber, o meu corpo flutuava nas ondas calmas de um mar outrora tumultuoso. o sol brilhava como se sorrindo para mim, chamando-me para a vida.

assustada, lutei para voltar para o meu refúgio… lá sentia-me tão segura. eu precisava voltar.

mas as ondas do mar continuavam a sua doce dança, num bailado suave que me acalmava… o vento sussurrava-me ao ouvido delicadas melodias, notas de música que me faziam recordar devagarinho aquele sorriso quente que o sol me concedeu.

Sim… o sol brilhava grande, nesse dia. deixei-me vaguear sobre aquele leito de água cálida. abandonei-me ao calor do sol e entreguei-me ao seu amor.

agora, sinto que dentro de mim, tudo o que era pequenino, ficou grande. a gota de vida transformou-se num oceano de águas límpidas e serenas. um débil sopro de vida, tornou-se num tornado de felicidade. a ausência, ausente de mim mesma. a solidão escondeu-se e o tempo interrompido da minha vida, transfigurou-se inteiramente em tempo de vida. o arco-íris devolveu-me as cores aos meus olhos…

agora… posso dizer que sou feliz. o sol continua a aquecer-me a pele, sorrindo para mim. diz-me que já não preciso de ter medo.

que tudo vai ficar bem.

que tudo está bem.

1.14.2015

| pessoas assim ♥


@ cheires

todos os almoços deveriam ser assim, com trocas de abraços apertados, sentidos, genuínos. abraços verdadeiros, como todos deveriam ser. perfeitos. 

infelizmente, há abraços em que, mesmo que queiramos muito que tal não aconteça, sente-se uma espécie de parede invisível, intransponível a qualquer sentimento bom. uma parede, embora invisível, opaca de dor e tristeza. e por mais que trabalhemos as mágoas do passado, simplesmente há coisas que não conseguimos esquecer, ultrapassar.

há muito tempo que não sentia abraços, como aqueles que senti hoje. e foi bom, muito bom. sentir uma energia assim, capaz de recarregar-nos de sol quente, tão quentinho...

ainda não me despedi, mas já sinto saudade. desse abraço, que sei ser, sincero. tanto da minha parte, como da parte de cada um deles: a minha priminha lena, o priminho joquinha e as minhas pequeninas, a nani e a beta. as minhas pessoas. aqueles que, nos momentos de dor, há muitos, muitos anos atrás (ainda ontem), não necessitaram de provas médicas, em como eu estava doente. não esperaram um diagnóstico, que demorava (como demorava...), para me darem colo, para me embalarem... simplesmente, acreditaram. e isso é amor. amor verdadeiro sem quê nem porquê. porque quando se ama de verdade, as perguntas se escusam.  

há coisas que não se esquecem. 
o amor não se esquece 



1.10.2015

{e da saudade}


pic @

ontem, perguntaram-me como estavam as mudanças. e eis que, por instantes, fiquei em silêncio, com o olhar distante, bloqueado... apesar da palavra "mudanças" estar na ordem do dia, quer em casa, quer no trabalho, sinto que só ontem, naquele preciso instante, é que me apercebi dessa realidade.

e, de repente, senti-me estranha. se é verdade que me sinto entusiasmada com esta nova oportunidade, de iniciar uma nova história, numa nova cidade, é, de igual modo, verdade, que começo a sentir alguma ansiedade perante tudo o que essa mudança significa.

ontem, olhei o bairro com outros olhos. cada recanto, cada memória. e senti uma saudade que me apertou o coração.

lisboa sempre esteve aqui e sempre estará, eu sei. mas, creio que só demos valor ao que temos, quando o perdemos ou, no meu caso, ficamos longe.

a luz de lisboa, os eléctricos, o cais das colunas, os miradouros, o rio (o meu rio, que me embalou durante anos, nos tempos em que eu era hospedeira no nacional), o bugio. saudades do bairro de benfica que me viu crescer, o parque silva porto, a igreja de Nossa Senhora do Amparo, o monsanto, o jardim zoológico. saudades da marginal, de cascais e da sua baía. saudades da casa da guia, dos piqueniques na boca do inferno, do guincho e das suas dunas. saudades dos faróis. saudades de sintra... como eu amo sintra: o monte da lua, em noite de lua cheia...  

saudades da rotina diária: os beijinhos do sky, o pão quentinho do lidl, os batidos do ikea, o croissant de nutella da padaria portuguesa, o mercado de benfica...

de todos os meus amigos e familiares que ficam. minhas pessoas.

(sim, eu sei que sou péssima, no que diz respeito a reuniões com amigos e\ou família e que poderia estar com eles, mais vezes... mas, também sei que, apesar que estar pouco tempo como eles, a qualquer hora, poderei ligar e em minutos, poderei tê-los do meu lado ♥ )

tanto que fica para trás... longe.

sim, eu sei que novas histórias me aguardam... mas, ainda assim...    

1.01.2015

{dia 1 de 365}


@ cheires

um ano que se inicia e eis que todos aguardam, ansiosos, por esse, tão aclamado "novo começo". traçam-se objectivos e fazem-se planos... eu faço isso, todos os anos. e, de certa maneira, as coisas acabam por correr, de uma maneira ou de outra, conforme o planeado. 

este ano que terminou foi um ano, completamente, atípico. todos os planos, todos os objectivos traçados foram, de um dia para outro, substituídos por uma mudança... A mudança. necessária, porque nem o plano "a" ou o plano "b" estavam a correr como esperado e "se um plano não bate certo, há que passar ao seguinte. há que ter sempre um A, B, C e D."*

janeiro será o mês de todas as despedidas e fevereiro será o mês de todos os recomeços. para este ano que se inicia, a expectativa é grande. em 2014, algumas portas insistiram em fechar-se. da mesma forma que outras tantas janelas insistiram em abrir-se. por mais cinzenta que a vida se apresente, devemos sempre acreditar que, mais cedo ou mais tarde, e quando menos se espera, o sol brilhará ☼


* sofia fernandes