12.25.2014

| palavras que poderiam ser minhas...


@ cheires
"perder um avô é natural, é o ciclo da vida. é triste, é um assim tem de ser. mas é perder um pouco de nós. é sentir, finalmente e como se até ao momento fosse apenas uma ideia vaga, que há um determinado momento que não volta mais.
é sentir que falta algo agora e de ora em diante. é sentir que aquele pedacinho da nossa infância que tentamos agarrar com todas as forças que a memória esquecida nos permite se começa a desvanecer. é uma perda que nos invade o âmago e nos desafia a encarar o futuro agora que o passado é tão somente uma lembrança. uma recordação. é, por muito que não queiramos, perder um pedacinho que quem somos e do que fomos. mas eu não quero perder. quero guardar para sempre mesmo quando a imagem se dissipar. porque um avô nunca se perde.
um avô fica para sempre no nosso coração... ali... ao lado de quem já lá está. um Avô acompanha-nos mesmo quando já não está presente. o meu avô, será também ele para sempre eterno." 
in Suvelle Cuisine

o nosso natal foi um natal triste. partiu uma parte de nós... alguém tão especial que irá ser difícil ultrapassar a sua ausência... o meu tio-avô, um Avô que me viu crescer e me ajudou a crescer... 

lembro-me de, pequenina, adorar saltitar pela sua alfaiataria, entre tecidos, linhas, tesouras demasiado grandes e pesadas para as minhas mãos e cheiro a ferro de engomar e lembro-me de adorar o seu sorriso lindo. lembro-me de, décadas mais tarde, o receber todas as semanas, religiosamente, na minha loja, onde nos demorávamos envoltos em memórias.

ainda não consegui interiorizar a sua partida, nem sei quando o conseguirei... mas sei que, apesar de longe, continua pertinho. e sei, também, que um dia, nos reencontraremos. entre um voo e outro.

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