11.02.2014

...assim


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lembro-me de estar muito frio. ia de mãos dadas com a minha mãe e com o meu pai. a rua era tão comprida que não se chamava rua: era uma avenida [sim, a minha mãe já tinha-me explicado isso].

caía uma chuva miudinha que me enevoava os olhos... parecia que estávamos envoltos num nevoeiro que molhava tudo.

onde vamos? "já te dissemos que é uma surpresa." pronto, está bem [chatos].

lá ao fundo, no meio daquela espécie de nevoeiro feito de lágrimas fininhas [porque as nuvens estavam tristes... mas, não sei bem porquê... a minha mãe nunca me explicou], uma nuvem de fumo branco. que nuvem é aquela? é o senhor das castanhas. assadas? sim. que bom! adoro castanhas assadas! podemos comprar quando lá chegarmos? que cheirinho bom... vamos mais depressa!

debaixo de um grande chapéu [igual ao nosso, mas o nosso é para usar na praia... que estranho], estava um senhor a assar castanhas. as mãos estavam tão sujas... "porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito". ah! então, está bem.

depois de ter o meu canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas, bem apertadinho entre minhas mãos, pediram-me para olhar para trás: um prédio gigante com um poster quase tão gigante como o prédio. nesse poster, estavam dois cães e muitos [tantos!] cãezinhos brancos com pintas pretas!

"esta é a surpresa..."

e é por isso que, sempre que vejo uma nuvem de fumo branca com um cheirinho bom, a sobressair de um nevoeiro, lembro-me daquele dia em que aprendi que uma rua muito grande, não se chama rua, mas avenida. que as nuvens choram quando estão tristes, que os senhores das castanhas têm as mãos muitos sujas porque as folhas de jornal e as castanhas assadas sujam muito. e, principalmente, lembro-me da primeira vez que fui ao cinema... com um canudinho feito de folha de jornal, cheio de castanhas assadas. quentes e boas... quentinhas.

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