11.02.2014

{as cinco fases do luto}


@ monção

elisabeth kübler-ross, numa das suas publicações, menciona os cinco estágios pelos quais, as pessoas passam quando se deparam com uma perda:

primeiro, nós entramos em negação porque a perda é tão inconcebível, que não podemos imaginar que seja verdade;

de seguida, surgem sentimentos intensos como a raiva, a revolta e o ressentimento, para além da clássica pergunta: “porquê eu?”. sentimos raiva de tudo e de todos, irritados, de igual modo, com nós mesmos;

então, nós negociamos, nós imploramos, rezamos, oferecemos tudo o que temos, oferecemos nossas almas, em troca de apenas mais um dia;

quando já não podemos continuar a negar mais os acontecimentos e nem podemos continuar revoltados contra eles, caímos em depressão, num total desespero;

até que, finalmente, os sentimentos não estão mais tão à flor da pele, como se a dor tivesse desvanecido, a luta tivesse cessado e as coisas passam então a ser enfrentadas com consciência das possibilidades e das limitações, aceitando que fizemos tudo o que pudemos, aceitando e deixando os acontecimentos fluírem...

foi assim, comigo, há cerca de oito anos atrás, aquando do diagnóstico. foi assim, comigo, nas últimas semanas, quando me apercebi que já não era mais capaz de trabalhar como antigamente, quando me apercebi que a minha tolerância à dor tinha diminuído, drasticamente. foi assim, comigo, quando me apercebi que  teria de deixar um dos meus trabalhos porque não aguentava mais, trabalhar dez horas por dia, como estava habituada.

ontem, foi o meu último dia, no trabalho que me ocupava as tardes. uma casa enorme, que me dava bastante que fazer. uma família grande, com um menino esperto e um gato cor-de-laranja gordo e preguiçoso (sim, por acaso, chama-se garfield). fiquei triste mas, contra factos não há argumentos: se continuasse naquele ritmo, mais dia menos dia, nem para mim, nem para eles, nem para ninguém.

é muito difícil para mim, com pouco mais de quarenta anos, admitir esta espécie de invalidez que se colou ao meu corpo. não aceitei aquando do diagnóstico, custou-me a aceitar agora, passados oito anos.

mas, a vida não acabou. muito pelo contrário: o fim do ano aproxima-se e com ele, a minha mudança definitiva para terras de viriato. novos caminhos, novas etapas, novas provas... uma nova vida me aguarda.

então, irei aproveitar as minhas tardes para me dedicar a esta mudança: empacotar, arrumar e sonhar...

Sem comentários: