10.04.2014

| dos dias assim-assim


todos temos, numa dada altura, o nossos cinco minutos. minutos em que duvidamos, em que questionamos a nossa fé. minutos em que sentimos o fardo que somos, para nós e para os que nos rodeiam. minutos em que desejamos sair deste corpo que nos aprisiona, como se fosse uma espécie de colete de forças, repleto de espinhos que os ferem a carne, até ao osso. 

todos temos, numa dada altura, o nossos cinco minutos... 

eu mudei muito, ao longo dos anos. aprendi a ver para além dos dias cinzentos, para além da tristeza, para além da dor. aprendi que o poder da emoção, pode ser a resposta para as maleitas da vida. aprendi o significado da palavra fé. aprendi que se sorrires para a vida, a vida devolver-te-á o sorriso. 

não obstante, numa dada altura, todos temos, os nossos cinco minutos e eu não sou excepção à regra. nestas últimas duas semanas, o meu corpo colocou-me, mais uma vez, à prova. e desta vez, não recebi a dor com um sorriso, nem tão pouco, lhe dei a mão. muito pelo contrário: permiti que a dúvida se instalasse, expulsando, de imediato, a fé. 

qual o sentido disto tudo? para quê viver desta forma? tudo, na minha vida, é uma luta constante e eu estou tão cansada de lutar... é uma luta para dormir, é uma luta para acordar, é uma luta para levantar-me, uma outra luta para vestir-me. nas primeiras duas semanas, ainda consegui deslocar-me para o trabalho de bicicleta mas, nesta semana que passou, fui obrigada a recorrer ao carro. porque era uma luta, descer três andares com  a bicicleta ao colo, fazer o percurso casa-trabalho, subir três lanços de escada, novamente, com a bicicleta ao colo e, finalmente, trabalhar oito horas... e no fim do dia, repetir tudo, mais uma vez.

eu estou a adorar o novo trabalho porque estou a fazer aquilo que mais gosto. e é isto que me faz desanimar. eu estou a adorar o novo trabalho, mas a dor está sempre no meu caminho e eu sinto-me a perder as forças para lutar.

confesso que tenho pensado muito, em desistir. nos últimos três dias, vi e revi a minha vida e nada me prende a nada. o pior disto tudo é que, ao contrário das outras vezes, não me sinto motivada a procurar razões para tentar dar a volta à coisa. e, por mais incrível que possa parecer, isto não me assusta. e, confesso, preocupa-me o facto de não me assustar.

1 comentário:

Fê blue bird disse...

Minha querida como estás ?

Há dias que nos fazem vacilar mas não nos podem derrubar.

beijinho terno