10.29.2014

{como o rio que passa}


@ cheires 
relevar. deixar ir. deixar fluir, como o rio que passa. abrandar. escutar o que dizemos a nós mesmos. ser. perceber que os troncos que aparecem no nosso leito são apenas momentos. não nos impedem de continuar. não nos limitam a esperança. porque, independentemente de qualquer tronco, mesmo daqueles que nos obrigam a parar. a parar, por momentos. mesmo esses troncos, são importantes para o nosso propósito.

10.19.2014

| só por hoje...



@ lisboa

as últimas semanas foram complicadas. uma verdadeira prova de fogo. felizmente, apesar da queda ter sido feia, levantei-me. não nada foi fácil, contudo, consegui honrar, sempre, os meus compromissos laborais e ainda consegui completar o meu horário - recebi uma oferta de trabalho que irá preencher as manhãs e, "cereja em cima do bolo": fica a poucos minutos do meu trabalho das tardes.

em momentos como este que estou a passar, o normal, para mim, é o isolamento. foi isso que eu aprendi, há muitos e muitos anos atrás, da pior forma, quando quase todos se foram embora. desta vez, porém, algo mudou: desta vez, os amigos ficaram e não me deixaram um só dia, sozinha. e isso é bom... muito bom. 

não há um dia, em que não receba um telefonema ou uma mensagem, no meu telemóvel. hoje, entrei no meu perfil, no facebook... e mais mensagens, mais carinho à minha espera...

estas demonstrações de afecto tem sido essenciais para a minha recuperação. ainda me sinto bastante debilitada, a dor mantém-se forte, não obstante, sinto-me, também eu, cada vez mais forte, com mais vontade para debelar esta crise.

desta vez, não estou sozinha e por isso, só por hoje, levantar-me-ei, preparar-me-ei para a semana desafiante, que se aproxima. só por hoje, voltarei a dar a mão à dor, acolhendo-a, aceitando-a com um sorriso. só por hoje, serei feliz, tal como sou, com as minhas limitações.

só por hoje, serei feliz 

[fica, aqui, expressa, a minha gratidão a todos, que contribuíram, com tanto carinho, para a minha recuperação <3 u all]

10.04.2014

| dos dias assim-assim


todos temos, numa dada altura, o nossos cinco minutos. minutos em que duvidamos, em que questionamos a nossa fé. minutos em que sentimos o fardo que somos, para nós e para os que nos rodeiam. minutos em que desejamos sair deste corpo que nos aprisiona, como se fosse uma espécie de colete de forças, repleto de espinhos que os ferem a carne, até ao osso. 

todos temos, numa dada altura, o nossos cinco minutos... 

eu mudei muito, ao longo dos anos. aprendi a ver para além dos dias cinzentos, para além da tristeza, para além da dor. aprendi que o poder da emoção, pode ser a resposta para as maleitas da vida. aprendi o significado da palavra fé. aprendi que se sorrires para a vida, a vida devolver-te-á o sorriso. 

não obstante, numa dada altura, todos temos, os nossos cinco minutos e eu não sou excepção à regra. nestas últimas duas semanas, o meu corpo colocou-me, mais uma vez, à prova. e desta vez, não recebi a dor com um sorriso, nem tão pouco, lhe dei a mão. muito pelo contrário: permiti que a dúvida se instalasse, expulsando, de imediato, a fé. 

qual o sentido disto tudo? para quê viver desta forma? tudo, na minha vida, é uma luta constante e eu estou tão cansada de lutar... é uma luta para dormir, é uma luta para acordar, é uma luta para levantar-me, uma outra luta para vestir-me. nas primeiras duas semanas, ainda consegui deslocar-me para o trabalho de bicicleta mas, nesta semana que passou, fui obrigada a recorrer ao carro. porque era uma luta, descer três andares com  a bicicleta ao colo, fazer o percurso casa-trabalho, subir três lanços de escada, novamente, com a bicicleta ao colo e, finalmente, trabalhar oito horas... e no fim do dia, repetir tudo, mais uma vez.

eu estou a adorar o novo trabalho porque estou a fazer aquilo que mais gosto. e é isto que me faz desanimar. eu estou a adorar o novo trabalho, mas a dor está sempre no meu caminho e eu sinto-me a perder as forças para lutar.

confesso que tenho pensado muito, em desistir. nos últimos três dias, vi e revi a minha vida e nada me prende a nada. o pior disto tudo é que, ao contrário das outras vezes, não me sinto motivada a procurar razões para tentar dar a volta à coisa. e, por mais incrível que possa parecer, isto não me assusta. e, confesso, preocupa-me o facto de não me assustar.