9.06.2014

| também há dias em que a chuva cai...


dias escuros, frios, tristes. sim... nem sempre o sol brilha. existem dias, inclusive, que são negros como o breu. dias de dor, desespero em que a única solução que nos parece viável, é desaparecer para nunca mais voltar.

eu já tive dias assim. já desci ao fundo do poço [tão assustadoramente fundo] e fiquei lá durante anos. estava sempre noite, de tão escuro que era o poço e as paredes eram ásperas e frias, muito frias.

eu ainda tenho dias assim. dias escuros, frios, tristes. dias de dor e desespero. nesses dias sinto a presença do poço ali, bem ao meu lado. mas já não olho para ele, porque aprendi - ao longo da vida - uma valiosa lição: se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti*.

segundo einstein, só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem; a segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre. eu também acredito que existem duas formas de encarar a vida e tudo o que nos acontece.

se insistirmos em focarmos no que de negativo nos acontece, mais do mesmo nos espera... como se caíssemos numa espiral recessiva sem fim à vista.

se celebrarmos cada vitória [inclusive aquela pequena, quase insignificante, vitória], como se fosse um verdadeiro milagre [e não tenho quaisquer dúvidas que assim é], essa vitória, grande ou pequena, ganha proporções muito maiores do que as esperadas. além dessa vitória, mesmo que quase insignificante, ganhamos uma dose extra de entusiasmo, um novo ânimo - necessário para continuar o caminho, para continuar esse desafio diário, que é viver.

das duas maneiras de viver a vida, eu optei, há alguns anos atrás, pela segunda. ontem, consegui uma vitória: para quem observa de fora, essa vitória é quase insignificante. arranjaste um trabalho de uma ou duas horas, de vez enquanto? e isso é bom, porquê?

porque consegui encontrar alguém que precisa de mim. porque arranjei um emprego [ainda que "quase insignificante" para alguns]. porque grão a grão, enche a galinha o papo. e porque - principalmente - me senti revigorada, como se tivesse renascido. porque me senti útil, novamente [após oito meses parada, por motivos de saúde]. porque, apesar de só ter trabalhado uma hora e meia, foi a melhor hora e meia que tive, há muitos meses para cá.

segunda-feira, regresso à estrada. porque esta [pequena, quase insignificante] vitória, que eu celebrei com pompa e circunstância [como a, realmente, senti], contribuiu para aumentar a confiança, a fé que necessito ter.

confiança e fé, em como irei conseguir.
  


*friedrich nietzsche


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