9.27.2014

| só isso...

resiliência, é esse o «palavrão» adequado para definir o novo estado de espírito que há que construir e alimentar. resiliência é precisamente essa capacidade que alguns materiais possuem de acumular energia quando submetidos a stress sem entrar em ruptura. falar de resiliência da fé é falar da resiliência da vida, e é, assim, ser capaz de ver para além do visível e fazer da crise, de qualquer crise, uma oportunidade, uma possibilidade de ir mais longe. o que não nos mata faz-nos mais fortes. Só isso.
| frei fernando ventura


confesso que ontem, a ideia de desistir, passou-me pela cabeça. pelo corpo todo, aliás. para quê continuar viver assim? a dor, ontem, ultrapassou todos os limites. bati no fundo e, por instantes, a morte pareceu-me calma, silenciosa, sem dor. mas [felizmente, há sempre um "mas"], se consegui ultrapassar a dor, tantas vezes... irei conseguir mais esta.

9.24.2014

| uma espécie de mantra


"há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos, 
há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas"
| machado de assis

hoje, todo o meu corpo grita. já ontem, foi assim... sinto o meu corpo cheio de espinhos. onde toco, dói. muito... e é nestas alturas que tento [com muita devoção] lembrar-me que, há dias assim, sim. mas como tudo na vida, a dor passa. passa sempre...

9.23.2014

| dias felizes


há dias assim. em que te sentes criança, novamente. é por isso gosto de trabalhar com miúdos: eles aceitam a criança que existe em mim, e brincam com ela. 

ontem, quando fui buscar o lucas ao colégio, caiu um dilúvio. ainda tentámos fugir... mas, depressa ficámos todos molhados. então, olhámos um para o outro, sorrimos e: 1, 2, 3! splashhh!!!

:)

9.20.2014

| uma espécie de mantra...

numa época de tanta crise, em que nenhum de nós escapa ao sofrimento, e em que todos somos obrigados a trabalhar mais, a contribuir mais, e a ganhar muito menos, temos que seguir os exemplos de quem se recusa a desistir nem se deixa vencer.  
há uma frase do poeta khalil gibran que passo a vida a citar (e a recordar mentalmente) que nos devia interpelar a todos neste momento em que somos chamados a tantos sacrifícios: "não perguntes à vida o que ela te pode dar; pergunta a ti próprio o que podes dar à vida".

9.15.2014

| e agradecer...


finalmente, o regresso. à rotina, ao dia-a-dia cheio de planos, à vida lá fora. e sinto-me bem. sinto-me feliz. estupidamente feliz.

e grata. sinto-me muito, muito grata

9.14.2014

| das pessoas que nos inspiram


how people treat you is their karma; how you react is yours.

| wayne dyer

uma lição difícil de aprender, mas necessária: ponderar antes de reagir; avaliar a situação e perceber se vale mesmo a pena, fazer de um insulto, um cavalo de batalha. respirar fundo, contar até dez, até vinte... até cem. o que for necessário.

porque se é verdade que existem pessoas que parecem existir, somente, em função da agressividade, da humilhação alheia, é de igual modo, verdade, que alimentar essas atitudes, é inútil e desgastante. e qualquer coisa que possa interferir negativamente no nosso equilíbrio, deve ser evitada, ao máximo.

não se trata de esconder emoções, porque isso seria contraproducente, mas perceber a necessidade de resgatarmos o nosso poder pessoal, não delegando a ninguém  - principalmente, na pessoa que nos agride - o poder de interferir no nosso equilíbrio emocional.

respirar fundo, contar até dez, até vinte... até cem. o que for necessário. para que no final do dia, possamos deitar a cabeça na almofada e, tão simplesmente, dormir. em paz.  

9.13.2014

{até dar certo...}


"nem sempre o universo conspira a nosso favor. nem sempre bate tudo certo. nem sempre os timings da vida coincidem com os nossos desejos. nem sempre a vida se encaixa com perfeição nos sonhos que perseguimos.

o importante é continuar a sonhar. o importante é persistir em lá chegar. não pensar, sequer, em desistir. não fraquejar. não acomodar. não parar.

se um plano não bate certo, passar ao seguinte. ter sempre um A, B, C e D. a vida dá muitas, muitas voltas. nem sempre o carrossel nos faz rodopiar no sentido certo. mas também não ficamos sempre parados onde menos queremos. 

nunca ninguém disse que viver era fácil. mas muitas vezes só é mais difícil porque nós complicamos. muito."

| sofia fernandes

9.12.2014

{chá frio de pêssego e lavanda}



1 pêssego grande, maduro
2 litros de água
1 raminho de lavanda (usei fresca, mas pode-se usar seca)

lavar e descascar o pêssego. ferver as casacas do pêssego no litro de água, juntamente com o raminho de lavanda. assim que levantar fervura, desligar. coar, deixa arrefecer por completo e reservar. triturar o pêssego até ficar líquido. num jarro grande juntar o pêssego triturado, a água e cubos de gelo. aromatizar com mais lavanda, a gosto. ir bebendo ao longo do dia.

9.11.2014

{hoje, por exemplo, escolhi ser feliz ♡ }



perguntaram-me a razão da publicação dos meus textos, não só aqui como no meu blog, uma vez que tenho vários amigos em situação precária, que desconhecem como será o seu futuro e cito: “viver o dia-a-dia com um sorriso é fácil, para quem não está a passar por situações iguais, como parece ser o teu caso”

[???]

houve, inclusive, quem se tenha sentido ofendido, por eu estar a conseguir ultrapassar os obstáculos que a vida me tem imposto...

então, eu passo a explicar: existem quatro razões pelas quais eu faço o que faço: sempre é mais uma publicação, onde a emoção é positiva [ou, pelo menos, tento...] – e a emoção é a semente; porque eu preciso de me rodear desse tipo de emoção positiva; porque gostaria que todos os que me rodeiam percebessem, como essa emoção pode melhorar a nossa qualidade de vida [tentando, assim, de alguma forma, levar uma palavra de esperança, a todos os que se sentem encurralados pela vida].

cada um sabe de si e quem vê caras não vê corações. todos temos os nossos medos, os nossos problemas, as nossas aflições. não conheço ninguém que não se sinta como eu, tentando equilibrar-se na corda bamba. a realidade do país vê-se e ouve-se, por todo lado...

não obstante, eu acredito no poder da emoção, da inspiração. acredito que a qualidade da energia direccionada à situação que nos aflige, poderá ser (ou não) meio caminho andado, para a sua resolução. acredito no poder da lei do retorno, acredito na lei da intenção e acredito, sobretudo, na lei da gratidão.

de momento, sinto uma grande necessidade de encontrar a emoção positiva, em tudo o que me rodeia. é essencial para a evolução positiva da minha condição física e mental; é essencial para que eu consiga ultrapassar todos os obstáculos, com que me deparo, profissionalmente; é essencial para que eu seja feliz.

um pensamento negativo atrai outro pensamento negativo que, por sua vez, acaba por atrair outro pensamento negativo - sementes que germinarão, transformando-se em frutos. a espiral negativa agrava-se, chegando a um ponto, que não sabemos como sair do meio da lama e, tudo o que vemos e temos à nossa volta, são ervas daninhas…

comigo foi assim. até ao dia em que decidi bastava. não sei explicar como, contudo, uma força revelou-se em mim: e, a medo, avancei… e, a medo, consegui. porque a minha vontade de viver prevaleceu à lama e às ervas daninhas.

todos os dias temos o livre arbítrio de escolher: o que queremos fazer, quem queremos ser. eu escolhi procurar, todos os dias - ainda que, em alguns, a dor esteja presente ou tenha um problema, para qual não veja solução – uma emoção positiva, uma razão para o meu sorriso. decidi que plantaria, sempre, sementes de boa qualidade.

sei que assim, depressa a dor passará; sei que assim, depressa encontrarei uma solução para o tal problema.

a quarta razão pela qual eu escolho desabafar aqui e no meu blog, é porque gosto de companhia. e gosto dos mimos que recebo de quem me lê. e gosto muito do carinho que sinto desse lado, que me ajuda nas alturas mais complicadas.

e sei, que juntos, somos muitos. e muita energia positiva só poderá resultar em muitos sorrisos  ^_^

9.10.2014

{tarteletes de feijão branco e queijo feta}


1 lata de feijão branco
1/4 copo queijo vegetal, esfarelado
sumo de 1/2 limão
azeite
pitada de alho em pó
quantidade generosa de sal e pimenta
algumas fatias de pão granulado de boa qualidade
um punhado de rabanetes, cortada muito fina
cebolinho, para a cobertura

num pequeno processador de alimentos, misturar o feijão, o queijo vegetal, o sumo de limão, o alho em pó, sal e pimenta. regar com uma dose saudável de azeite de oliva. moer até formar uma pasta grossa ou adicionando mais azeite para aumentar a sua suavidade. 

enquanto isso, torrar as fatias de pão. cortar cada fatia ao meio e espalhar a mistura de feijão branco e queijo vegetal em cada meia fatia de pão. de seguida, cubrir com fatias de rabanete e cebolinho. 

9.09.2014

| adietar: pôr(-se) em dieta



eu já fui gordinha. muito gordinha, mesmo. e nunca me aborreci por ser assim. desde que não interferisse com a minha saúde, não me importava de ser redondinha [pequenina e redondinha, como uma bolinha... chamavam-me, ternamente, "michelin"].

nunca fiz dietas para emagrecer. por vezes, comia menos, por um ou dois dias. mas só. sempre gostei de comer e isso de almejar por uma figura igual à das modelos, não era para mim. aliás, sempre considerei aquela magreza, doentia. é isso mesmo. doentia.

quando descobri que um tratamento possível para a minha doença seria uma dieta, não hesitei. vozes surgiram: "não vais conseguir". porém, a teimosia e a obsessão pelo perfeccionismo [é no que dá ter sol em touro, lua em escorpião e ascendente em virgem: uma mistura explosiva de mau feito], estiveram a meu favor.

segui, religiosamente, este regime que cortava com quase todos os alimentos, excepto proteína animal e alguns vegetais. lacticínios e polissacarídeos riscados do menu. ou seja, praticamente, tudo.

a tal magreza doentia que me afligia... no meu espelho. contudo, sem dores [decididamente, o mais esperado... o mais importante].

hoje, com a doença em remissão, já reintroduzi todos os alimentos e já como de tudo [weeeeee!]. foram quatro anos a proteína animal, alface e água. agora, já me consigo olhar no espelho. já reflecte, finalmente, as curvas... estou mais gordinha [não tão gordinha, mas enfim...].

actualmente, a dieta, regime ou o que quer que lhe possamos [ou queiramos] chamar, é outra. a finalidade não é perder ou ganhar peso. tão pouco descer os níveis de colesterol ou da glicémia. e, muito menos, combater uma bactéria irritante como a klebsiella pneumoniae. a finalidade é ser feliz.

vozes, mais uma vez, surgem: 

"ser feliz? com os tempos que correm?"[a padeira];
"isso de ser feliz é muito complicado"[a minha vizinha];
"e o que é a felicidade?"[a avó do meu bebé];
"desculpe lá, mas que ideia mais parva"[colega de autocarro];
"e como é que é isso?"[a minha querida amiga paula].

ou ainda,

"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. já tens 41 anos! já estava na hora de mudares"[a minha prima].


[sim...
eu estou rodeada de pessoas que acreditam que a felicidade,
ou não existe,
ou é praticamente inatingível,
ou é sonho de menina...
vá-se lá entender]

vamos lá por etapas:

"ser feliz? com os tempos que correm?"

bem... "os tempos que correm"... que eu me lembre, os tais tempos têm sido os mesmos desde que eu nasci. já no tempo dos meus pais era a mesma coisa. e no tempo dos meus avós, também. no entanto, no meio destes "tempos que correm" sempre existiram pessoas que conseguiram. ser felizes. tal qual, o seu significado. se eles conseguiram... porque não eu [nós]?.


"isso de ser feliz é muito complicado"

porquê? porque é que ser feliz tem, necessariamente, que ser complicado? eu não acredito que assim seja. nada é complicado. a vida não é complicada: nós é que temos essa tendência quase perniciosa de complicar tudo. somos eternas vítimas da pior sabotagem de todas... a auto-sabotagem.


"e o que é a felicidade?"

felicidade
(latim felicitas, -atis)
s. f.
1. circunstâncias que causam ventura.
2. estado da pessoa feliz.
3. sorte.
4. ventura.
5. bom êxito.

in priberam

ficou explícito ou terei de desenvolver?


"desculpe lá, mas que ideia mais parva"

parva? "dieta" para alcançar a felicidade... sinceramente, não consigo perceber onde está a parvoíce. a felicidade está em tudo o que vemos, vivemos e sentimos. o grande problema é que não estamos habituados [não fomos educados] a reparar nisso. existem tantos guias, tantos exemplos, tanta informação sobre o tema... só falta pôr todo este conhecimento [que temos mas não valorizamos] em prática. e, por isso, a "dieta".


"dieta para ser feliz? só te dá para a estupidez! quando é que cresces? és tão infantil! nem pareces ter a idade que tens. vais fazer 42, não vais? já estava na hora de mudares"

antes de mais, sim. estou, cada vez mais perto, do meu aniversário e eu, que não sou de falsa modéstia, adoro festejar o dia em que nasci, gosto ainda mais que todos se lembrem. faz muito bem ao ego [e se faz bem ao ego... contribui para a "dieta"]. quanto à "estupidez"... pena que existam pessoas que pensem desta forma. já sobre a "infantilidade"... sempre fui assim. acredito que nada haja a fazer para alterar esse estado [e mesmo que houvesse, eu gosto desta minha maneira de ser, obrigada].

bem... a "conversa" já vai longa. fica o "como" para uma outra altura.

agora, vou até à cozinha ser feliz. tenho que lavar a loiça. e lavar loiça deixa-me feliz porque, como a sofia escreve no seu blog, "celebro a vida no simples gesto de a lavar".

[porque ter loiça para lavar significa que houve alimento. porque há trabalho. porque tenho saúde. porque não estou sozinha. porque...]

9.06.2014

| também há dias em que a chuva cai...


dias escuros, frios, tristes. sim... nem sempre o sol brilha. existem dias, inclusive, que são negros como o breu. dias de dor, desespero em que a única solução que nos parece viável, é desaparecer para nunca mais voltar.

eu já tive dias assim. já desci ao fundo do poço [tão assustadoramente fundo] e fiquei lá durante anos. estava sempre noite, de tão escuro que era o poço e as paredes eram ásperas e frias, muito frias.

eu ainda tenho dias assim. dias escuros, frios, tristes. dias de dor e desespero. nesses dias sinto a presença do poço ali, bem ao meu lado. mas já não olho para ele, porque aprendi - ao longo da vida - uma valiosa lição: se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti*.

segundo einstein, só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se os milagres não existissem; a segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre. eu também acredito que existem duas formas de encarar a vida e tudo o que nos acontece.

se insistirmos em focarmos no que de negativo nos acontece, mais do mesmo nos espera... como se caíssemos numa espiral recessiva sem fim à vista.

se celebrarmos cada vitória [inclusive aquela pequena, quase insignificante, vitória], como se fosse um verdadeiro milagre [e não tenho quaisquer dúvidas que assim é], essa vitória, grande ou pequena, ganha proporções muito maiores do que as esperadas. além dessa vitória, mesmo que quase insignificante, ganhamos uma dose extra de entusiasmo, um novo ânimo - necessário para continuar o caminho, para continuar esse desafio diário, que é viver.

das duas maneiras de viver a vida, eu optei, há alguns anos atrás, pela segunda. ontem, consegui uma vitória: para quem observa de fora, essa vitória é quase insignificante. arranjaste um trabalho de uma ou duas horas, de vez enquanto? e isso é bom, porquê?

porque consegui encontrar alguém que precisa de mim. porque arranjei um emprego [ainda que "quase insignificante" para alguns]. porque grão a grão, enche a galinha o papo. e porque - principalmente - me senti revigorada, como se tivesse renascido. porque me senti útil, novamente [após oito meses parada, por motivos de saúde]. porque, apesar de só ter trabalhado uma hora e meia, foi a melhor hora e meia que tive, há muitos meses para cá.

segunda-feira, regresso à estrada. porque esta [pequena, quase insignificante] vitória, que eu celebrei com pompa e circunstância [como a, realmente, senti], contribuiu para aumentar a confiança, a fé que necessito ter.

confiança e fé, em como irei conseguir.
  


*friedrich nietzsche


9.05.2014

{hoje, está a ser um bom dia ♥ }


perguntaram a uma feirante se gostava de o ser. responde que sim, que não se importava de fazer trabalhos menores...

[o que são trabalhos menores?]

luto com este estigma, desde que a minha doença deu tréguas (em 2010) e eu decidi que não iria voltar a trabalhar na óptica, mas que continuaria a trabalhar com crianças.

o meu pai, agora reformado, foi alfaiate e, depois do vinte e cinco de abril até à reforma, cantoneiro de limpeza. posto de lado por uma boa parte da família, era o homem do lixo. há uns tempos atrás, uma pessoa chegada, polícia de profissão, disse-lhe que ele teria que subir muitos degraus para chegar até ele [infelizmente, eu não estava presente porque eu teria-lhe dito exactamente o que fazer com a farda]. eu aprendi muito com a profissão do meu pai... por vezes, ia com ele para o trabalho e sentia imenso orgulho dele. afinal, o meu pai ajudava a cidade a estar limpa! e os lisboetas eram tão porquinhos... [e ainda são. é só olhar para o chão e para os eco-pontos].

a minha mãe foi costureira, empregada de limpeza e ama. com ela aprendi a cozinhar e a tratar de uma casa. posso dizer que tive a melhor professora porque tudo o que ela faz, sabe fazê-lo muito bem.

há cerca de vinte anos, eu queria seguir o ensino. mas sempre gostei de pensar a longo prazo e apercebi-me que essa profissão, daí a alguns anos, estaria estagnada. por isso, resolvi frequentar um curso técnico e muitas pestanas queimadas mais tarde, tornei-me técnica de óptica. um bom emprego com um bom cargo numa excelente empresa...

contudo, fiquei doente e tive que abandonar a minha profissão. tal como tive que abandonar a minha casa.

voltar a morar com os meus pais significava lidar com a profissão da minha mãe, dia após dia. ela era cuidadora de crianças. o que eu aprendi em tantos anos... não foi só a mudar fraldas, fazer o biberão ou a interpretar choros. aprendi a amar sem exigir nada em troca. porque lidar com crianças é isso mesmo. um acto de amor.

quando a doença começou a dar tréguas, eu e minha mãe fizemos um género de parceria e passámos a ser colegas de trabalho. todos [família, amigos...] sabiam disso mas, muitas vezes, uma familiar telefonava lá para casa e quase sempre, a meio da conversa, pérola das pérolas: mas tu estás a trabalhar? onde? então, não trabalho com a minha mãe? ah, isso...

[ah, isso???]

quando a minha doença entrou em remissão, decidi que estava na hora de dar a reforma à minha mãe. ela estava muito cansada e já só estava a trabalhar para me ajudar. confesso que me custou imenso despedir-me dos meus traquinas... eles eram tudo, para mim.

vais voltar para a óptica? não. então? não sei...

há muita procura na minha área com excelentes vencimentos. ainda trabalhei numa clínica, por uns tempos. mas, não era nada daquilo que eu queria.

eu queria voltar a fazer aquilo que estivera a fazer durante mais de oito anos. mas, estudaste tanto...

sim. estudei. queimei pestanas, neurónios e sei lá mais o quê. se estou arrependida? [aqui, ficaria bonito dizer que o saber não ocupa lugar e não sei mais o quê, mas não vou dizer nada disso] estou arrependida, sim. foram anos que desperdicei a fazer algo que não me preenchia, cá dentro. na empresa onde trabalhava, ocupava uma posição muito boa, tinha um excelente ordenado... mas era infeliz. tanto que adoeci.

primeiro, um grave esgotamento que deixou sequelas... e a seguir, a espondilite. [sim, eu sei que não é uma doença profissional, mas reumática. sei, ainda, que muitos portadores podem viver uma vida inteira sem que a doença se manifeste. tal como sei que, neste tipo de doenças, há factores que podem ajudar a desencadear a doença... e no meu caso, o responsável foi tudo o que girava à volta da minha profissão].

de que me vale um emprego "melhor" [?!], estando doente?

conheço muitas pessoas que frequentam o ensino superior porque estão atrás de um sonho, da sua vocação. a essas pessoas, eu desejo toda a sorte do mundo. hoje, mais do que nunca acredito que devemos seguir o nosso coração. pode parecer romantismo, mas é a maior verdade que algum dia possamos conhecer.

também conheço pessoas com empregos xptoz, mas infelizes porque têm um "bom" emprego mas... não é aquilo. a esses, digo-lhes que ainda estão a tempo. nem só de pão vive o homem e não é o prestígio que vos vai alimentar a alma. e, acreditem, a certa altura, irão sentir o peso da escolha.

quanto a mim... entre 2012 e 2014, deixei as minhas crianças, para administrar uma pequena empresa. um emprego "melhor" [???], em comparação com anterior. resultado? o emprego "melhor" levou-me a um esgotamento, que me obrigou a ficar parada durante os últimos oito meses...

agora, restabelecida, ando - novamente - à procura de emprego. como empregada doméstica com a vertente de babysitter, claro. eu a-do-ro limpar, arrumar, passar a ferro, cozinhar... e brincar muuuito com crianças. ser empregada doméstica, pelo que oiço por aí, é considerado um trabalho menor. eu não o vejo assim. nem todos podemos ser médicos, professores, advogados, administradores... contudo, é necessário alguém, a quem estes médicos, professores, advogados, administradores, possam entregar as suas casas e os seus pequenos tesouros, de modo a que se possam dedicar aos seus empregos. há lugar para todos e todos somos igualmente importantes: desde o médico que trata o nosso corpo até ao cantoneiro que limpa as nossas ruas, impedindo a propagação de doenças.

hoje, é com tristeza que oiço coisas como: foste de cavalo para burro.

...

em dois dias, pedalei quase o bairro inteiro, à procura de emprego e já deu frutos: já tenho as manhãs ocupadas [já trabalhei hoje! e sinto-me grata, muito grata ♥ ] e hoje, irei pedalar um pouco mais - preciso ocupar as tardes e os meus braços gostariam tanto, de voltar a embalar... eu acredito que quem procura, sempre encontra!

[ps. se eu poderia voltar a trabalhar na minha antiga área, se eu poderia fazer menos quinze horas semanais, trabalhar bem menos e ganhar três vezes mais do aquilo que ganho? poder, podia... mas, não seria a mesma coisa ☺ ]

9.01.2014

| um [re]começo com sabor a férias de verão ☀


agosto é, naturalmente, um mês dedicado às férias, ao descanso, ao sossego: parar, respirar, descansar, dormir, passear são os verbos típicos do mês de agosto. o meu agosto, contudo, teve verbos como arrumar, organizar, encaixotar, pintar, limpar, mudar, carregar. com a excepção da pintura, estes verbos todos ao quadrado.

foi um mês cansativo mas, decididamente, o melhor mês do ano deste ano que, em breve, termina. um salto para o vazio, um salto de fé. arregaçar de novo as mangas e voltar à estaca zero. porque há os que se queixam do vento. os que esperam que ele mude. e os que procuram ajustar as velas.

muita estrada percorrida, a mudança de uma vida inteira. mas não só. não basta de mudar de casa, de cidade ou, até de país, se nada se alterar no nosso íntimo. desejar mudar não é suficiente: é necessário desejar uma nova atitude perante a vida, perante os outros, perante si mesma.

durante este agosto que passou e apesar do [tanto] trabalho, houve tempo para mim, para me olhar nos olhos, escutar-me, sentir o meu coração... para tentar perceber quem, afinal, sou eu. outra tanta estrada percorrida... incrível, o quanto aprendemos, sobre nós mesmos, quando nos propomos, genuinamente, a tal.

dediquei o dia de hoje, à preparação desta segunda fase [de um conjunto de várias, antes da fase final deste projecto, que irá culminar no regresso definitivo à cidade que já me acolheu]. e nada melhor que um [re]começo com sabor a férias de verão. na baía de cascais, claro. porque é o meu refúgio - apesar dessa multidão que encontro sempre. hoje foi difícil encontrar um espaço para a toalha, mas encontrei. enterrei os pés na areia, deixei as ondas me embalarem... senti todo o amor que mãe terra tinha para me dar. recebi com carinho e com o mesmo amor, retribuí toda a minha gratidão.

hoje, o dia teve sabor a mar.

amar...

william g. ward*