7.15.2014

| este post é sobre a amizade


a última década não foi fácil, para mim. os piores anos da minha vida foram, indubitavelmente, o ano em que a espondilite foi diagnosticada e o ano, imediatamente, a seguir. a história já é conhecida: perdida a capacidade de me locomover e/ou viver [porque dói muito], perdido ficou o emprego, para o qual estudei. sem emprego, a casa foi vendida. grande parte da minha família e amigos, desapareceram juntamente com o diagnóstico. eu morri... (porque a su a.d.* desapareceu, dando lugar a uma su, completamente diferente).

depois do médico ter-me dito que o meu caminho terminaria numa rua sem saída, senti-me perdida. sem rumo, deambulei pela vida durante muito tempo. nesse ano, isolei-me do ínfimo mundo que me restava. no ano seguinte, também... ou, pelo menos, tentei. um certo dia, my someone estendeu-me a mão e a minha vida começou a mudar. com a sua ajuda, encontrei um tratamento para o meu problema de saúde e, tal milagre, a dor foi desaparecendo, dando lugar a uma nova vontade de viver.

feliz, resolvi gritar aos sete ventos que o caminho não terminava numa rua sem saída e que era possível caminhar, sem estar de mão dada com aquela dor que atormentava a caminhada [caminhada essa, que segundo o médico (e com o tempo, viria a revelar-se assim), seria cada vez mais lenta, cada vez mais tortuosa, cada vez mais difícil].

um passarinho passava e ouviu-me. de asas feridas, juntou-se a mim.

depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. guardei a minha no bolso. e fui.
caio f. abreu

e isto foi o que aconteceu comigo... o passarinho, apesar da sua asa ferida, esteve sempre do meu lado. de cor azul, o passarinho chilreava sons tão belos que me embalavam nas horas mais difíceis [que foram muitas, porque nem sempre o tratamento surtia efeito e as recaídas repetiam-se, umas atrás das outras].

durante a minha caminhada, o passarinho azul foi, tantas e tantas vezes, o meu abrigo, o foco luminoso que me ajudava nos dias mais enevoados e nas noites mais escuras. a este passarinho, devo a minha vida. porque, com a sua ajuda, cheguei ao fim do caminho e descobri que, afinal, não era um fim... apenas, um novo começo. e que este novo começo era cheio de flores de todas as cores.

[obrigada, meu lindo passarinho azul... gosto tanto de ti...]

chamo-lhe irmã do coração... tenho mais irmãs, como sabem. e elas sabem que eu as adoro incondicionalmente. tal como sabem que a minha mana do  é e sempre será a minha pessoa...

6 comentários:

cronicasdeumaraparigadesonho disse...

Que post tão bonito. Não consigo dizer mais nada.

Mary Brown disse...

Uma palavra amiga faz muitas vezes a diferença na nossa vida e o passarinho azul está sempre disponível a dar-nos um miminho a ser o nosso ombro amigo. Quem não sente o passarinho azul como da família? Su Beijinho grande para ti

Fê blue bird disse...

Mana do meu coração, não tenho palavras...só queria dar-te pessoalmente um abraço muuuuuuuuito apertado!
Sabes que gosto muito de ti e que te desejo tudo de bom na vida.
Tu mereces tudo minha querida.

No meu blogue fiz um modesto agradecimento pelo muito que me tens dado.

beijinho comovido
Fê blue bird

Ana Tapadas disse...

Que testemunho comovente!
A Fê merece e você seja muito feliz.

Beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

venho do blogue da Fê....

não tenho palavras, mas eu também ainda acredito na palavra amizade.

beijo comovido

:)

Mariazita disse...

Venho do blog da amiga Fê.
Senti-me tão bem aqui!
A amizade, um dos sentimentos mais importantes na nossa vida, sente-se no ar.
Vou voltar, sempre que possível.

Beijinhos