5.17.2014

[re]erguer


sometimes the future changes quickly and completely, and we’re left with only the choice of what to do next. we can choose to be afraid of it, to stand there trembling not moving, assuming the worst that can happen or we step forward into the unknown and assume it will be brilliant. 
cristina yang
ontem, telefonaram-me para me desejarem os parabéns. 

no meio da conversa, comentaram que a vida não está nada fácil. falaram-me que o desgoverno do governo qualquer coisa, que a crise isto, que a economia aquilo e o desemprego não sei quê. não posso deixar de concordar que a conjuntura actual levou-nos a repensar a economia doméstica, a fazer ainda mais contas, a ser ainda mais criativos.

contudo, recuso-me a entregar-me a este sentimento quase global de que "não há nada a fazer" e recuso-me a dar tempo de antena ao desânimo e ficar ainda mais desesperada. até porque isso, não nos leva a, rigorosamente, lado nenhum. o governo não fica mais governado, a crise não desaparece...

ao invés de esperar que a economia mude, como quem espera um milagre, torna-se obrigatório procurar, tentar, criar, desenvolver... não havendo acção, não haverá movimento. a atitude, claro, complementará a acção: ver no agora, uma oportunidade de se pôr à prova...

antes da doença, eu tinha uma vida bastante confortável. esta manhã, comentava isso, com a minha irmã. algo, porém, mudou no meu pensamento. hoje, finalmente, apercebi-me que ter ficado doente, pouco antes da grande promoção da minha carreira, mudou totalmente, o rumo da minha vida... para melhor.

é certo que essa promoção traria benefícios - nomeadamente, financeiros - que acabei por nunca alcançar. não obstante, não teria passado por tudo o que passei até hoje, não teria sido obrigada a reerguer-me, não teria aprendido o que aprendi, não teria percorridos tantos caminhos diferentes, que me levariam onde me encontro, neste momento: perante O projecto [esse, sim] da minha vida.

demorei muito até compreender que as quedas - sejam elas quais forem - são necessárias. obrigam-nos à acção que, por sua vez, cria o movimento necessário ao auto-conhecimento e à verdadeira auto-realização.

quantos de nós não se acomodam à vida, só porque esta nos corre bem? a vida não quer acomodação, a vida exige animação, evolução, mudanças. a vida requer vida e merece ser vivida.

é demasiado complicado quando caímos. quando o rumo muda drasticamente, sem que tenhamos previsto ou estejamos preparados. eu sei disso. eu já estive lá. há que ter tempo para recuperar da queda, sim... mas, não podemos "lamber as feridas", eternamente e eis que restam duas hipóteses: continuar no chão, petrificados... ou decidir ir em frente, enfrentando tudo e todos. e ter fé. acreditar que sim: que estamos perante A grande oportunidade da nossa vida.

[a auto-comiseração e o medo não podem ser mais fortes que a vontade de viver...]


p.s.
ninguém irá fazer o percurso que cabe a nós, fazer. a vontade de mudar nasce em cada um e cada um terá de trilhar o seu caminho. assim sendo, quando nada acontecer, a culpa não será, obviamente, dos outros.

1 comentário:

Fê blue bird disse...

Continua a trilhar esse caminho com a força que tens demonstrado ao longo da vida.

beijinho