5.10.2014

{dor crónica ou a crónica de uma dor crónica anunciada}


healing doesn't mean the damage never existed. it means the damage no longer controls our lives" Akshay Dubey

inspirar... expirar... dor crónica. a dor de hoje, de amanhã, de ontem. a dor de agora, de sempre, para sempre. foi assim, em criança. é assim, neste preciso instante em que escrevo. mas... [porque há sempre um mas], com o tempo tudo muda, até a dor. 

há algumas semanas atrás, a minha médica dizia-me, "parabéns. a susana conseguiu. neste momento, a susana não tem uma doença: a doença tem uma susana" e eu sorri. sim, eu venci. a dor de ontem, pode ser para sempre, mas só quando eu permitir que assim seja. 

aprendi que a dor [a doença] não passa de uma somatização de tudo o que se passa na minha cabeça. emoções negativas: tristeza, ansiedade, raiva, medo... tudo isto se traduz em dor. aprendi, também, que ao controlar essas emoções, a dor perde intensidade, havendo, assim, alturas em que desaparece e eu fico livre. e corro, e salto, e brinco e rio muito como uma criança... ficando a doença, por sua vez, ainda mais longíqua . 

contudo, ser saudável dá trabalho. 24/7 job, como se costuma dizer. manter-me sã, não é fácil. seria, se eu vivesse fechada num casulo, sem ver, falar, ouvir ninguém. viver em sociedade acrescenta a derradeira dificuldade a esse trabalho constante, que é tentar viver sem dor. 

palavras-chave: auto-estima, autoconfiança, autocontrole, força interior e atitude positica perante tudo, perante todos e manter-me numa vibração, o mais alta possível. 

não sobrevalorizar, não criar expectativas, estar sempre um passo à frente. e com um sorriso: jamais esquecer o sorriso. o sorriso é essencial ao processo da cura. mas não vale um sorriso nos lábios, quando todo o corpo pede que se fure os olhos ao tipo, que está à nossa frente. a ideia é não permitir, de modo algum, essa acumulação de emoções nada positivas, na minha mente, na memória das minhas células. o sorriso, por isso, será, obrigatoriamente, genuíno: nos meus lábios, nos meus olhos, em todo o meu corpo.

aprender a lidar com a tristeza, a ansiedade, a raiva e o medo passa a ser, então, uma prioridade, perante toda essa logística necessária, após um diagnóstico - seja ele, qual for. 

eu não sou caso único. tive o privilégio de conhecer pessoas que me inspiraram e me provaram que é assim mesmo. felizmente, somos milhões, por esse mundo fora... 

como escrevi acima, neste instante, estou com uma dorzinha irritante [um eufenismo necessário porque quanto mais atenção dispensarmos à dor, mais a dor reclama tempo de antena], na minha sacro-ilíaca direita. mas não faz mal. porque eu já identifiquei a origem e já estou a tratar dessa emoção que permitiu a dor regressar. 

é provável que se mantenha porque estou a passar por momentos menos fáceis, não obstante, na certeza que irei conseguir, novamente, voltar a ser livre. e correr, e saltar, e brincar e rir muito como uma criança :)

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